Servidores estaduais da Paraíba ocupam ALPB contra votação de projeto de Reforma da Previdência
Por G1 Paraíba Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019
Manifestantes ligados às categorias de servidores estaduais ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) na manhã desta quinta-feira (12) para protestar contra a votação da proposta de reforma do sistema de previdência dos servidores do estado da Paraíba. Após a manifestação, o presidente da ALPB anunciou que a votação do tema não deve acontecer antes de uma audiência pública na segunda-feira (16).
Conforme o texto dos documentos do projeto de reforma, é prevista a exclusão de pagamento de benefícios como licença-maternidade, salário família, auxílio-reclusão e licença para tratamento de saúde, além do aumento na alíquota de contribuição para a previdência de 11% para 14% dos salários.
A votação da Reforma da Previdência do governo da Paraíba, em caráter de urgência na assembleia, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. A liminar proferida pelo juiz convocado Onaldo Queiroga atendeu ao Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo líder da bancada de oposição da ALPB, Raniery Paulino (MDB).
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Servidores da Segurança Pública levaram cartazes impedir votação — Foto: Rafael Oliveira/CBN
As mudanças são exigidas pelo texto da Reforma da Previdência, promulgada em novembro pelo Congresso. O estado e os municípios têm até o dia 31 de julho de 2020 para fazer adequações aos seus sistemas previdenciários previstas na reforma promulgada pelo Congresso Nacional e 90 dias, após esta data, para implementar as mudanças.
Os servidores ligados à Secretaria da Segurança e Defesa Social e à Secretaria de Administração Penitenciária se reuniram em uma audiência pública na manhã desta quinta-feira para debater os efeitos da reforma nas categorias. Uma nova audiência pública, aberta às demais categorias, está marcada para segunda-feira (16) às 14h.
Uma nota conjunta, assinada por 13 categorias ligadas à Segurança Pública e Administração Penitenciária, destaca que o governo quebrou o tratamento isonômico entre as forças de segurança do estado com a proposta de reforma. Os policiais militares foram acolhidos pela legislação federal das Forças Armadas.
“O Governo do Estado encaminhou uma proposta de emenda Constitucional e um projeto de lei complementar que aniquilam com a já sofrida aposentadoria dos profissionais aqui representados, deixando claro para todos nós que a vida desses profissionais vale menos do que a dos militares”, afirma a nota.
A alíquota dos militares passou de 11% para 10,5% para fins de recolhimento previdenciário, enquanto a proposta encaminhada pelo governo da Paraíba para policiais civis, agentes penitenciários e socioeducativos aumenta de 11% para 14%. Caso a proposta encaminhada pelo governo avance, as categorias listaram suspensão e diminuição de serviços.
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Profisionais da educação também ocuparam a Assembleia da Paraíba — Foto: Rafael Oliveira/CBN
Em nota, o governo da Paraíba afirmou que o projeto de reforma da previdência dos servidores estaduais é uma adequação é obrigatória e necessária para que o estado possa manter o Certificado de Regularidade Previdenciária e caso perca esse certificado, ficará impedido de receber quaisquer recursos federais e até contrair empréstimos junto a organismos internacionais.
Confira a nota do governo da Paraíba na íntegra
O Governo do Estado da Paraíba, após reunião de sua equipe técnica com os deputados estaduais hoje pela manhã na Assembleia, que discutiu o Projeto de Lei encaminhado ao Legislativo no sentido de adequar ao Estado o que foi aprovado pela Emenda à Constituição Federal 103/19, vem a público prestar o seguinte esclarecimento:
1- Essa adequação é obrigatória e necessária para que o Estado possa manter o Certificado de Regularidade Previdenciária; caso perca esse certificado, o Estado ficará impedido de receber quaisquer recursos federais e até contrair empréstimos junto a organismos internacionais;
2- Esta adequação não retira nenhum direito do servidor público Civil e militar, a exemplo de auxílio-doença, salário família, licença maternidade e a gratificação por risco de vida; apenas estabelece que os recursos da PBPrev só podem ser utilizados para os pagamentos de pensão e aposentadoria; os demais benefícios serão pagos com os recursos do órgão ou do Poder ao qual o servidor esteja vinculado;
3- Adotamos a alíquota linear de 14%, que já é praticada nos vizinhos estados nordestinos, justamente para que os nossos aposentados e pensionistas que recebem até o teto, que hoje não descontam para a previdência, não passem a contribuir. Se implantássemos a alíquota progressiva, quem ganha um salário mínimo pagaria a partir de 7,5 %, chegando até 12% para quem recebe o teto de R$ 5.839,45;
4- O Governo está retirando os militares da proposta em razão da aprovação do PL pelo Congresso Nacional, que fixa regras próprias para a previdência dos militares e que ainda está aguardando a sanção presidencial. Até que essa legislação seja sancionada e entre em vigor, a situação dos militares permanece inalterada.
Paraíba, 11 de dezembro de 2019
Governo do Estado da Paraíba