Campanha de Lula se mobiliza contra possível retirada do canal Exército do Lula do ar
Por G1 Sexta-Feira, 23 de Outubro de 2026
Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) receberam a informação de que o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, pode tirar do ar o canal “Exército do Lula” às 18h desta sexta-feira (23).
Em nota, o TSE afirmou que não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar e rebateu as interpretações sobre uma possível suspensão.
“O TSE não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar. Os prazos dos processos de propaganda são sempre curtos. Ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidos”, afirmou o tribunal.
Nesta manhã, às 10h59, o deputado André Janones(Rede-MG), criador do canal, divulgou uma mensagem aos seguidores do “Exército do Lula” a seguinte informação:
“Seguinte, pessoal: vamos ter um plano B! Vamos entrar também no canal do presidente (“Canal do Lula”) e, se esse aqui for derrubado, a gente faz de lá”
O receio da campanha ocorre depois de uma série de decisões de Nunes Marques sobre o funcionamento do canal no WhatsApp, que reúne milhões de seguidores e é utilizado por Janones para mobilizar apoiadores do presidente nas redes sociais.
Nesta quinta-feira (22), o presidente do TSE deu prazo de 24 horas para que a Meta, responsável pelo WhatsApp, apresente um relatório técnico sobre o funcionamento do canal. A determinação atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o grupo de promover ações coordenadas nas redes sociais.
A empresa deverá informar se identificou sincronização de atividades, replicação sistemática de conteúdos e eventual amplificação artificial de publicações. Google e X também foram acionados para prestar esclarecimentos sobre a circulação de termos e hashtags entre os dias 18 e 20 de outubro.
O canal já foi alvo de duas ordens de suspensão de Nunes Marques. Na primeira, em 11 de outubro, o ministro atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusava o espaço de disseminar informações falsas. A decisão foi revertida horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Dois dias depois, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do canal e condicionou seu funcionamento ao registro na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula informou o endereço ao TSE, o que permitiu o restabelecimento do espaço.
Na quinta-feira, a defesa de Lula pediu ao tribunal que retirasse o “Exército do Lula” do registro oficial da campanha. Os advogados argumentam que o canal é administrado por Janones de maneira independente, sem financiamento, estrutura ou orientação da candidatura.
Também na quinta-feira, Janones apresentou um mandado de segurança ao TSE para pedir a anulação das decisões de Nunes Marques e garantir o funcionamento do canal, sem o risco de novos bloqueios administrativos.
A movimentação ocorre na reta final da campanha, a dois dias do segundo turno. Nos bastidores, a preocupação é que uma nova suspensão impeça o uso do canal justamente nas últimas horas de mobilização dos eleitores.
Até o momento, não há confirmação de uma nova decisão determinando a retirada do “Exército do Lula” do ar nesta sexta-feira.