Bolsonaro hostiliza repórteres em Roma, e segurança agride jornalistas
Por O Globo Segunda-Feira, 1 de Novembro de 2021
Uma tentativa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de fazer neste domingo mais um passeio por Roma,como nos dois últimos dias, terminou em confusão após as seguranças presidenciais e agentes do Estado italiano agredir jornalistas brasileiros que acompanham a viagem.
Os agentes da agrediram repórteres com socos e empurrões, tomaram o celular de um deles e seguraram como mochilas dos profissionais para tentar impedir que eles registrassem o passeio de Bolsonaro por uma das principais ruas do centro histórico da capital italiana.
Os agentes italianos, cedidos pelo governo local, anfitrião do G-20, dão apoio à segurança de Jair Bolsonaro desde que ele desembarcou no país, na última sexta-feira, dia 29.

No sábado, os policiais italianos já tinham ameaçado jornalistas brasileiros que tentavam acompanhar o passeio de Bolsonaro pelas ruas próximas da embaixada, uma região sempre repleta de turistas.
A ação contra os jornalistas no início da noite deste domingo (hora de Roma) também atingiu acidentalmente apoiadores do presidente. Uma senhora que usava os que assem os aliados da bandeira brasileira e que elasca palavras de apoio a Bolsonaro foi jogada no chão pelos seguranças.
Os jornalistas começaram a perguntar ao presidente por que as seguranças estavam agredindo os profissionais. Ele parou, conversou um minuto com um dos agentes e decidiu retornar para a embaixada. A caminhada não durou mais de dez minutos.
Ao contrário dos líderes dos países presentes na cúpula do G-20, Jair Bolsonaro não deu declarações à imprensa sobre a participação brasileira na cúpula, a primeira desde o início da pandemia.
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A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência não tinha informações sobre a agenda do presidente e sobre temas discutidos nas reuniões do evento. Procurada sobre as agressões, a Secom não se manifestou.
Os jornalistas agredidos vão registrar um boletim de ocorrência sobre o episódio.
Na véspera, Bolsonaro passou pelas ruas de Roma e recebeu os gritos tanto de "genocida" como de "mito".