Vereador pede na Justiça afastamento de Tide Eduardo da presidência da Câmara de Patos; procurador contesta
Por Vicente Conserva - 40 Graus Sexta-Feira, 9 de Janeiro de 2026
O racha na base do prefeito Nabor Wanderley na Câmara Municipal de Patos entre os grupos da presidente Tide Eduardo e Maikon Minervino ganha contornos de guerra e embate que foge do campo político e chega agora aos tribunais.
O vereador Davi Maia (Rede), partido do vice-prefeito Jacob Souto, ingressou com uma ação na Justiça pedindo o afastamento da presidente e anulação da eleição a qual lhe deu o terceiro mandato.
Davi argumenta que o Regimento Interno da Casa Juvenal Lúcio de Sousa só permite uma reeleição subsequente, bem como fere a Lei Orgânica do Município, além de ir de encontro a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu que não pode haver terceiro mandato.
De acordo com David, a ação foi protocolada no dia 19 de dezembro de 2025, no Fórum Miguel Sátyro, com pedido de liminar, e aguarda julgamento.
Tide já estando no último ano do seu mandato, o que muitos perguntam é porque só agora isso foi questionado por vereadores que apoiaram e votaram na presidente. A resposta deve estar no fato dos grupos interessados na eleição da Mesa Diretora para o próximo biênio agora estarem em lados opostos.
As trocas de farpas já se tornaram públicas tendo até reprovação do Palácio Clóvis Sátyro, segundo informações de fontes ligadas ao prefeito.
Davi faz parte do grupo que apoia politicamente o vereador Maikon Minervino, pré-candidato a presidente e que rachou com a presdiente após ela não apoiá-lo e não antecipar a eleição da Mesa Diretora. Tide pretende apoiar outro nome que seja da sua cozinha.
O clima na Casa, que está em recesso parlamentar, é de guerra. Davi Maia acusa ainda a presidente de não ter transparência e de ter transformado a Câmara em uma espécie de Big Brother ao instalar câmeras que captam o áudio, que segundo ele, tem a intenção de intimidar parlamentares e funcionários que por ventura sejam contrários a ela.

Davi ainda alega que o clima na Câmera pesou e que a presidente não tem mais condições de presidir a Casa. “Falta transparência sendo preciso até nós termos que pedir na Justiça documentos que qualquer vereador tem o direito de acessar para que possamos ter conhecimentos das contas da Câmara. Sem falar que só o grupo dela decide as coisas por lá”, disse Maia.
Na outra fileira da guerra, Tide alega que o seu primeiro mandato foi interino e, portanto, não configura um terceiro mandato.
O procurador jurídico da Câmara Municipal de Patos, José Lacerda Brasileiro, explicou que o STF definiu que são permitidas apenas duas eleições consecutivas, porém, estabeleceu como marco temporal o dia 7 de janeiro de 2021, determinando que mandatos exercidos antes dessa data não entram no cálculo da regra.
No caso de Patos, José Lacerda destacou que Tide Eduardo foi eleita para a presidência da Câmara em 1º de janeiro de 2021, antes do marco fixado pelo Supremo, o que faz com que esse mandato não seja considerado para fins de limitação. Dessa forma, a atual presidência estaria, em tese, amparada pela decisão da Suprema Corte.
O procurador também ressaltou que a ação foi ajuizada cerca de um ano após a eleição da atual Mesa Diretora, o que pode indicar prescrição, já que os prazos eleitorais são curtos.
Para ele, não há motivo para instabilidade institucional, pois a Câmara segue funcionando normalmente, e qualquer decisão deverá respeitar o contraditório e a ampla defesa.