Troca no Turismo sinaliza reaproximação de Lula com Hugo Motta
Por CNN Brasil Sexta-Feira, 19 de Dezembro de 2025
A mudança no comando do Ministério do Turismo permitiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atender a ala governista do União Brasil e, ao mesmo tempo, fazer um gesto político ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em meio a uma relação marcada por ruídos recentes entre o Executivo e Legislativo.
Durante a reunião ministerial desta quarta-feira (17), Lula anunciou a saída de Celso Sabino (sem partido) do cargo. Para o lugar dele, deve ser indicado o paraibano Gustavo Feliciano, filho do deputado Damião Feliciano (União-PB). Gustavo já ocupou a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba e tem trânsito entre parlamentares da bancada do estado.
ula tratou do assunto com Hugo Motta em uma conversa por telefone nos últimos dias. A família Feliciano é aliada de Hugo na Paraíba. Pai e filho são amigos do presidente da Câmara, que deu aval à escolha do novo ministro.
A troca ocorre em um contexto de desgaste na relação entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados, especialmente após a aprovação de projetos considerados sensíveis pelo governo, como o PL da Dosimetria, além de críticas de parlamentares à condução da articulação política e à liberação de emendas.
Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que a mudança no Turismo também busca fortalecer a base aliada em um momento de dificuldades do governo para consolidar maioria no plenário, além de reduzir resistências internas no União Brasil, partido que abriga alas com posições divergentes em relação ao Planalto.
Mesmo dentro da ala governista do União Brasil, Sabino não estava "com moral", relatam integrantes do partido. Segundo fontes do Planalto, a troca foi um pedido do próprio União.
Candidato ao Senado
A decisão de fazer a mudança na pasta acontece após a COP 30, considerada o principal feito político de Sabino no Pará, e também foi acompanhada de perto pelo presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e pelo líder da sigla na Câmara, Pedro Lucas (União-MA).
Ainda sem partido, Sabino busca apoio para se lançar ao Senado e deve ter a ajuda de Lula no projeto. Até o fim de fevereiro, ele espera anunciar uma composição de chapa para disputar a eleição dentro do campo progressista.
A demissão de Sabino foi anunciada por Lula já no final da reunião ministerial desta quarta-feira. Sabino chegou a fazer parte da "foto de família" do primeiro escalão, que envelheceu rapidamente.