Galeguinho da Van reafirma apoio a Lula e critica colegas que, segundo ele, escondem voto em Flávio
Por Célio Martinez - A Fonte Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2026
O vereador Galeguinho da Vam (Republicanos) reafirmou, durante pronunciamento na sessão ordinária da Câmara Municipal de Patos, nesta terça-feira (13), seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou, sem citar nomes, colegas que, segundo ele, estariam manifestando publicamente apoio ao petista, mas orientando eleitores e correligionários, nos bastidores, a votar em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Ao defender sua posição, o parlamentar cobrou coerência dos colegas e afirmou que não adota esse tipo de comportamento político.
“Eu só tenho um lado e esse papel Galeguinho da Vam nunca fez nem há de fazer”, declarou.
O vereador também pediu aos seus eleitores e correligionários que votem em Lula no segundo turno, argumentando que programas sociais mantidos pelo governo federal, como Pé-de-Meia, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de outras ações de assistência social, poderiam estar em risco caso Flávio Bolsonaro vença a disputa presidencial.
“O vereador Galeguinho jamais diria que apoia um candidato e no dia da eleição votar em outro, não. Como vereador nessa casa que fez isso. Isso não vereador não e não vou dá nem o nome”, afirmou, ao criticar a postura que atribuiu a outros integrantes do Legislativo municipal.
Na mesma fala, Galeguinho fez referência ao vereador Décio Motos (Republicanos), elogiando a postura do colega por ter assumido publicamente sua posição favorável a Flávio Bolsonaro, apesar de integrar a base de apoio ao prefeito e ao grupo político liderado pelo ex-prefeito Nabor Wanderley e pelo deputado federal Hugo Motta.
Décio critica atuação de Lula na campanha ao Senado
Em sua manifestação na tribuna, Décio Motos defendeu que os debates na Câmara Municipal devem priorizar os problemas e as demandas da população de Patos, avaliando que a disputa presidencial não contribui diretamente para a solução dos desafios locais.
“Quem ganhar, será meu presidente e presidente de todos”, declarou o vereador, ao reafirmar que, no primeiro turno, seguiu a orientação de seu partido e votou em Nabor Wanderley e João Azevêdo para o Senado, Hugo Motta para deputado federal, Olívia Motta para deputada estadual e Lucas Ribeiro para governador.
Décio lamentou a derrota de Nabor na disputa pelo Senado e atribuiu o resultado, entre outros fatores, à participação de Lula na campanha de Veneziano Vital do Rêgo (MDB), reeleito senador pela Paraíba. O vereador criticou um vídeo em que o presidente pediu votos para Veneziano, divulgado no guia eleitoral do emedebista nos dias que antecederam a votação.
“Não gosto de covardia e por isso não voto. Três dias antes da eleição, usando da força do cargo de presidente, Lula só pediu voto para Veneziano, mesmo tendo outros dois apoiando ele. Como é que vou votar em um cara fraco desses?”, questionou.
O parlamentar afirmou que trabalhou intensamente no primeiro turno em favor dos candidatos de seu grupo político e também pediu votos para Lula, mas que a atuação do presidente na disputa pelo Senado mudou sua posição para o segundo turno.
“Todo mundo sabe que no primeiro turno trabalhei incansavelmente pedindo votos pra meus candidatos e pra Lula. Nunca pedi um voto pra Flávio, mas eu não voto em Lula pois não aceito covardia”, declarou.
Décio também avaliou que o fortalecimento da direita no Congresso Nacional representa uma derrota política para Lula e o PT. Na avaliação do vereador, o resultado das eleições ampliou a força da oposição tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
“Bolsonaro hoje está mais forte do que antes, pois elegeu todos os candidatos, derrotando os principais nomes do PT”, sentenciou.
Debate eleitoral divide espaço com demandas de Patos
A repercussão da disputa presidencial na Câmara Municipal de Patos não se restringe ao pronunciamento desta terça-feira. Durante o período eleitoral, vereadores como Galeguinho da Vam (Republicanos) e Héber Tiburtino (PP) têm utilizado reiteradamente a tribuna para defender seus candidatos e expor posicionamentos sobre a disputa nacional.
Embora a manifestação política faça parte da atividade parlamentar, a frequência com que o tema vem ocupando espaço nas sessões tem provocado críticas de setores da sociedade e de parte da população, que cobram maior atenção dos vereadores aos problemas cotidianos do município.
Entre as preocupações está o risco de que as discussões sobre a eleição presidencial e as disputas entre grupos políticos reduzam o espaço destinado ao debate de questões locais, como infraestrutura, saúde, educação, mobilidade urbana, serviços públicos e outras demandas que afetam diretamente a vida dos patoenses.
O cenário evidencia o desafio da Câmara Municipal de conciliar o posicionamento político de seus integrantes com a responsabilidade de fiscalizar a gestão pública, apresentar soluções e dar encaminhamento às reivindicações da população.
Enquanto Galeguinho da Vam mantém o apoio a Lula e cobra coerência dos colegas, Décio Motos assume posição contrária à reeleição do petista, mesmo reconhecendo que, no primeiro turno, seguiu a orientação partidária e trabalhou pela candidatura presidencial de Lula. Em meio às divergências, permanece a cobrança para que as questões de interesse direto da população de Patos não sejam relegadas a segundo plano.