Ala do PDT defende voto útil a Lula e moderação nos ataques de Ciro ao ex-presidente
Por O Globo Sábado, 17 de Setembro de 2022
Uma ala do PDT do Rio, composta por integrantes históricos da sigla, tenta convencer a cúpula do partido a aderir ao chamado voto útil e declarar apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas para o Planalto, já no primeiro turno. O candidato do PDT à Presidência é Ciro Gomes, mas ele não tem conseguido reduzir a grande distância que o separa do segundo colocado, Jair Bolsonaro (PL).
O apelo dos pedetistas fluminenses ao partido deve ser oficializado nos próximos dias e tem como justificativa a disputa cristalizada entre Lula e Bolsonaro nas pesquisas. Um ato de brizolistas — seguidores do ex-governador Leonel Brizola, fundador do PDT, morto em 2004 — em favor de Lula está marcado para a próxima segunda-feira, no Sindicato dos Engenheiros do Rio.
Os pedidos para que o PDT reconsidere a candidatura de Ciro partem da premissa de que Bolsonaro pode se fortalecer se a eleição se estender num segundo turno. Uma eventual reeleição dele é vista pelos pedetistas como um retrocesso institucional que justificaria o sacrifício da candidatura de Ciro, que não dá sinais de que possa desistir. No entanto, o movimento mostra as dificuldades que ele enfrenta dentro do próprio partido na medida em que o primeiro turno se aproxima sem mudança substancial na disputa.
— Lula é a melhor opção no atual cenário. É a esperança contra a barbárie — argumenta o advogado Siqueira Castro, ex- chefe da Casa Civil do governo de de Brizola no Rio e um dos fundadores do PDT.
O pedetista diz respeitar Ciro, mas os ataques frequentes dele a Lula o incomodam. Ele defende que Ciro e o presidente do partido, Carlos Lupi, reconsiderem essa estratégia.
— Ciro Gomes tem muito valor, muito a contribuir para a vida brasileira. Mas fico incomodado pessoalmente com as acusações (contra Lula), que me parecem injustas e despropositais. Não me agrada. Respeito Lupi, somos grandes colegas. Ele tem se empenhado muito para aumentar o partido. Porém, o PDT está numa encruzilhada — diz Siqueira Castro. — Nesse momento, temos que fazer uma parada técnica e verificar que o caminho natural dos brizolistas, dos pedetistas e de todos os democratas é apoiar Lula.
A reunião de segunda pretende discutir a conveniência de se manter a candidatura de Ciro. O grupo tem citado como exemplo as eleições de 2002, quando Brizola chegou a defender o apoio a Lula às vésperas do primeiro turno, mesmo com o PDT na coligação de Ciro, que concorria ao Planalto pelo PPS. Mas Ciro não desistiu, e Brizola só apoiou o petista no segundo turno.
Segundo o deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ), que agora concorre a uma vaga na Assembleia do Rio, o encontro tem como objetivo discutir a possibilidade de apoiar Lula, mas levar a ideia de forma respeitosa ao PDT e Ciro numa carta.
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Super-heróis, animais, sósias e desenhos animados, as referências são inúmeras e usadas na construção das campanhas
— Se você é de um partido que tem candidato à Presidência e que obviamente não estará no segundo turno, por que não avaliar a conveniência de antecipar o voto? Isso serve para Ciro e para todos os outros presidenciáveis. Por que prolongar uma tensão que causa um abalo em nova democracia? — disse Ramos.
Na reunião, também será debatida a estratégia de ataque a Lula adotada por Ciro. Eles pedem tanto ao candidato e à cúpula do PDT para que as críticas a Lula cessem ou foquem nas propostas do candidato do PT, não no lado pessoal. Outra possibilidade é pedir que Ciro se concentre em Bolsonaro.
— Essa é uma coisa que deve ser debatida. Não queremos pegar um partido e estilhaçar, mais do que já está — afirmou Ramos.
Discretamente, outros candidatos pedetistas também se movimentam em direção a Lula. Eles veem o evento organizado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em favor de Lula no dia 25 como um aceno aos pedetistas, mesmo sem a participação do candidato do PDT ao governo estadual, Rodrigo Neves. Isso porque Paes e Neves têm uma aliança no estado, e o vice do pedetista, Felipe Santa Cruz (PSD), indicado por Paes, e estará no palanque com Lula.