'Centrão deve desembarcar por sobrevivência eleitoral'
Por O Globo Quinta-Feira, 9 de Setembro de 2021
O cientista político Fernando Limongi, professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado são as instituições que sobraram no contraponto à atuação do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-PI) "passou pano" ao pedir "pacificação" na relação entre os Poderes, mas não pautar o impeachment.
Em entrevista ao GLOBO, Limongi disse também que os atos de 7 de setembro mostraram que Bolsonaro está "isolado" na cena política, apesar do apoio de seus seguidores mais fiéis e que aposta que o Centrão vai abandonar o presidente em nome dos seus interesses eleitorais.
Os discursos de Bolsonaro no 7 de setembro são o ensaio para um golpe?
A questão é sempre tentar interpretar o Bolsonaro e tentar encontrar razão onde nunca há razão. Se foi um ensaio de golpe, foi um ensaio mal feito. O que entendo que ele pretendia fazer era uma demonstração de força e que com isso ele forçaria os outros atores a um acordo. O que ele mostrou foi sobretudo isolamento e completa falta de senso político.
O senhor acha que a blindagem do centrão ao governo está ameaçada?
Acho que sim. O centrão não rasga dinheiro. O Bolsonaro fez um acordo com eles e esse acordo envolvia algum tipo de troca e de tentativa de chegar a 2022 com viabilidade eleitoral. Agora, continuar com o Bolsonaro é o abraço do afogado.