Taxa de reeleição de prefeitos é a maior em 12 anos
Por O Globo Terça-Feira, 17 de Novembro de 2020
Abertas as urnas da eleição da pandemia, foi confirmada a previsão de que as características atípicas do pleito de 2020 favoreceriam prefeitos que disputavam a reeleição. Em todo o país, o percentual de prefeitos que conquistaram um segundo mandato este ano já é o maior desde 2008. Até o momento, 63% dos candidatos a prefeito que tentaram a reeleição obtiveram êxito no primeiro turno. Um número que ainda pode crescer, considerando os que ainda disputarão o segundo turno.
O levantamento considera aqueles candidatos que se mantiveram no cargo durante os quatro anos entre uma eleição e outra.
O cenário mostra uma transformação da fotografia política em quatro anos. Em 2016, o percentual de reeleição foi o menor da história, desde a possibilidade de reeleição. Na oportunidade, menos da metade dos prefeitos que concorreram novamente ao mesmo cargo foram bem sucedidos, de 47%.
Eleições:Veja o resultado em todo o país
O retrato eleitoral indica que discursos radicais de antipolítica, uma das principais marcas do pleito de 2018, não teve força relevante no país em 2020. O histerismo que embalou candidaturas bem-sucedidas há dois anos foi ofuscado agora – as mudanças no jogo partidário envolveram mais a reorganização de atores políticos tradicionais do que o surgimento de outsiders.
Com os resultados de momento, o percentual de 2020 está abaixo apenas do pleito de 2008, quando 66% dos prefeitos conseguiram renovar o mandato.
Naquela oportunidade, os municípios e a economia estavam em cenário positivo, favorecendo aqueles que estavam no poder. Desta vez, outros fatores explicam esse cenário positivo ao continuísmo.
Cientistas políticos afirmaram durante a campanha que a pandemia ajudou os prefeitos a aumentarem a visibilidade do trabalho desenvolvido. Quem trabalhou bem, se deu bem e conseguiu converte a aprovação da gestão em votos.
Além disso, foram eles que formaram as maiores coligações, numa eleição com recorde de candidaturas. Os melhores padrinhos, por sua vez, foram os próprios prefeitos, e não governadores ou o presidente Jair Bolsonaro.
Em cinco capitais, por exemplo, a reeleição dos prefeitos aconteceu em primeiro turno, como em Curitiba (PR), com Rafael Greca (DEM); em Belo Horizonte, com Kalil (PSD); em Campo Grande (MS), com Marquinhos Trad (PSD); em Natal (RN), com Álvaro Dias (PSDB); e em Florianópolis (SC), com Gean Loureiro (DEM).
Outro fator foi a campanha mais curta desde a redemocratização e limitações para se fazer campanha. A falta de debates na televisão e o curto espaço de campanha favoreceram os candidatos à reeleição.
Sem espaços para que os novos possam desconstruir e construir a oposição aos candidatos da situação, fazer-se conhecido ficou cada vez mais restrito aos neófitos.
Das 13 cidades onde os atuais prefeitos tentam um novo mandato, somente em uma, Porto Alegre (RS), o candidato sequer passou para o segundo turno. Na capital gaúcha, o tucano Nelson Marchesan não conseguiu chegar ao segundo turno, ficando apenas com 21% dos votos válidos.
Marchesan passou a incluir a seleta lista de prefeitos que tentaram a reeleição e sequer chegaram ao segundo turno. Desde 2004, 27 prefeitos estiveram nessa situação.