Entenda a estratégia por trás da renúncia da deputada Carla Zambelli à Câmara
Por Agência Brasil Segunda-Feira, 15 de Dezembro de 2025
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) renunciou ao mandato no domingo (14) como parte de uma estratégia jurídica para reduzir danos, tentar deixar a prisão na Itália e reforçar a tese de perseguição política. A decisão já era avaliada por aliados e advogados desde antes da votação da Câmara, na madrugada de quinta-feira (11).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia sido informado previamente sobre a possibilidade da renúncia. O ato foi formalizado após uma sequência de reveses judiciais, a condenação no STF, a prisão no exterior e o risco de extradição ao Brasil.
Segundo aliados, a estratégia considera que renunciar é juridicamente diferente de ser cassada. Com a renúncia, o grupo acredita ser possível obter autorização para sair da cadeia. Além disso, o fato de a Câmara ter rejeitado a cassação reforçaria o discurso de perseguição política.
O plano prevê, como segundo passo, tentar reverter o pedido de extradição ao Brasil após eventual soltura. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), a decisão não envolveu cálculo sobre inelegibilidade. O foco foi facilitar a defesa na Itália.
“Uma coisa é se defender como parlamentar cassada. Outra é como quem renunciou e se apresenta como vítima de perseguição política”, afirmou Sóstenes Cavalcante.
O deputado Cabo Gilberto (PL-PB), prestes a assumir a liderança da oposição, disse que a renúncia está diretamente ligada à defesa no país europeu. “Estamos trabalhando duro pela não extradição dela”, declarou.
Zambelli também sinalizou a aliados que, nas próximas eleições, pretende lançar um familiar ou pessoa de confiança. Já foram citados os nomes da mãe e de um de seus advogados.
A parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão e à perda do mandato por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizada pelo hacker Walter Delgatti Neto. A condenação transitou em julgado em junho. No mês seguinte, ela deixou o Brasil e foi para a Itália.
Na madrugada de quinta-feira (11), a Câmara rejeitou a perda do mandato, contrariando o STF. No dia seguinte, a Corte anulou a votação e afirmou que a Constituição prevê a perda do mandato em casos de condenação criminal definitiva. Antes da convocação do suplente, Zambelli anunciou a renúncia, comunicada oficialmente pela presidência da Casa.