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'Shopee do voto': campanha de Cícero protocola AIJE para apurar 'sistema de compra de votos'

Por Leonardo Barbosa - Click PB   Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2026

A campanha do candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena (MDB), protocolou, nesta quarta-feira (30), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP). A ação aponta uma suposta estrutura de compra de votos e abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral.

Segundo os advogados de Cícero, a campanha teria identificado uma plataforma eletrônica que, conforme a ação, seria utilizada para registrar informações de eleitores visitados por colaboradores.

A plataforma teria sido identificada no dia 6 de setembro e, de acordo com a AIJE, reuniria dados sobre visitas, demandas apresentadas pelos moradores e avaliações relacionadas à intenção de voto e à rejeição dos candidatos da chapa governista que disputam os cargos de governador e senador.

Entre as demandas registradas estariam pedidos relacionados a consultas médicas, exames, cirurgias, cestas básicas, botijões de gás, materiais de construção e empregos.

Durante entrevista coletiva, o advogado Walter Agra, que representa a campanha de Cícero Lucena, afirmou que o sistema seria utilizado em etapas, desde o levantamento das necessidades dos eleitores até o acompanhamento dos pedidos.

“As pessoas faziam essa visita qualificada, identificavam as demandas, depois retornavam atendendo esses pleitos e, por fim, perguntavam em quem os beneficiários iriam votar. É a primeira vez que vejo uma documentação da compra de votos”, afirmou o advogado Walter Agra, que representa a campanha de Cícero Lucena, em coletiva de imprensa.

Conforme os dados apresentados na AIJE, teriam sido catalogadas 8.592 visitas, além de 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos e 6.942 revisitas.

A ação afirma ainda que a plataforma reuniria informações de 1.596 colaboradores cadastrados, sendo 1.339 ativos. Eles estariam distribuídos em 17 grupos territoriais, com atuação em 97 bairros e 200 comunidades de João Pessoa, além de Bayeux, Cabedelo e Santa Rita.

Segundo a denúncia apresentada pela campanha de Cícero, entre os cadastrados haveria servidores públicos estaduais, que teriam participado das visitas às residências.

O documento aponta que a plataforma utilizaria o endereço “www.qualificada83.com.br”.

Ainda durante a coletiva, Walter Agra afirmou que o sistema teria sido retirado do ar após a denúncia, mas que a equipe jurídica teria conseguido preservar as informações.

“Após a denúncia, a plataforma foi retirada do ar. Mas nós já baixamos tudo e encaminhamos ao Ministério Público Eleitoral”, acrescentou Walter Agra.

A AIJE sustenta que os elementos apresentados caracterizariam suposta compra de votos e abuso de poder político e econômico. Caberá à Justiça Eleitoral analisar a ação, as provas apresentadas e as manifestações dos envolvidos.

Até a publicação desta reportagem, a campanha de Lucas Ribeiro não havia se manifestado sobre as acusações apresentadas na AIJE.

 

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