Datafolha confirmou favoritismo de Lula, mas mostrou também a resiliência do bolsonarismo
Por Brasil 247 Sábado, 25 de Julho de 2026
A mais recente pesquisa Datafolha trouxe uma boa notícia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o favoritismo eleitoral permanece intacto. Num eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% do senador do PL, repetindo praticamente o mesmo quadro observado no levantamento anterior. No primeiro turno, também lidera com folga. A estabilidade dos números confirma que, até aqui, a disputa presidencial segue congelada.
Mas seria um erro interpretar essa estabilidade como sinônimo de tranquilidade para o campo governista. A pesquisa revela duas realidades simultâneas: Lula continua sendo o favorito, mas o bolsonarismo demonstra uma impressionante capacidade de resistência, mesmo após anos de desgaste político, judicial e institucional.
Lula ainda não venceu
A primeira conclusão é evidente: Lula continua sendo o candidato mais forte da eleição de 2026. No entanto, ele ainda não reúne votos suficientes para liquidar a disputa no primeiro turno.
Embora lidere com ampla vantagem sobre qualquer adversário individualmente, seu percentual de votos válidos, de 45%, permanece distante da maioria absoluta dos votos válidos. Isso significa que a campanha continuará exigindo mobilização intensa, ampliação de alianças e capacidade de dialogar com parcelas do eleitorado que ainda permanecem resistentes ao governo.
Em política, favoritismo não equivale a vitória antecipada.
Cinco pontos são vantagem, mas não garantem conforto
A diferença de cinco pontos no segundo turno representa uma posição favorável, especialmente considerando a margem de erro da pesquisa. Mas também está longe de oferecer segurança absoluta. Lula parte na frente, mas a eleição continua aberta.
Ao mesmo tempo, existe um aspecto estratégico extremamente relevante revelado pelo Datafolha: o congelamento da disputa praticamente elimina o espaço político para o surgimento de uma terceira via competitiva.
Quando dois candidatos concentram praticamente toda a polarização, qualquer alternativa passa a enfrentar enormes dificuldades para crescer.
Essa dinâmica favorece especialmente Lula.
O motivo é simples. Flávio Bolsonaro carrega hoje o maior índice de rejeição entre os principais presidenciáveis, alcançando 48%, contra 46% de Lula. Trata-se de uma diferença pequena, mas politicamente importante, porque dificulta sua capacidade de conquistar eleitores fora do núcleo bolsonarista.
É justamente por isso que legendas importantes do chamado centrão demonstram cautela em relação à candidatura do senador. Se um candidato não consegue expandir sua base, torna-se um investimento político de alto risco.
A força estrutural do bolsonarismo
Ainda assim, o dado talvez mais significativo da pesquisa seja outro.
Mesmo enfrentando sucessivas crises — envolvendo o caso Master, questionamentos sobre urnas eletrônicas, desgastes familiares, dificuldades de alianças e elevado índice de rejeição — Flávio Bolsonaro permanece competitivo.
Isso mostra que o bolsonarismo deixou de ser apenas um fenômeno associado à figura de Jair Bolsonaro. Transformou-se numa força política estruturada, com identidade própria, eleitorado consolidado e capacidade de disputar o poder nacional mesmo sem seu principal líder na urna.
Essa talvez seja a principal mensagem do Datafolha.
A eleição continua polarizada
O Brasil segue vivendo uma polarização profunda.
De um lado, Lula preserva uma base eleitoral sólida, melhora discretamente sua aprovação e continua sendo o favorito natural da disputa. De outro, o bolsonarismo mantém um piso elevado de votos, demonstrando que continua representando quase metade do eleitorado em cenários de segundo turno.
O Datafolha confirma, portanto, duas verdades aparentemente contraditórias, mas perfeitamente compatíveis. A primeira é que Lula permanece na posição mais confortável da corrida presidencial. A segunda é que o bolsonarismo continua longe de ser derrotado.
Mais do que uma fotografia do momento, a pesquisa oferece um retrato da nova realidade política brasileira. A polarização inaugurada em 2018 continua organizando o sistema partidário e o comportamento do eleitor. A boa notícia para Lula é que ele segue na dianteira e enfrenta justamente o adversário com maior dificuldade de ampliar sua base eleitoral. A má notícia é que, apesar de todas as crises enfrentadas pela família Bolsonaro, o bolsonarismo permanece vivo, competitivo e suficientemente forte para levar a disputa até os seus momentos decisivos.