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Eleitor bolsonarista só larga Flávio se ‘sangrar’ muito, diz especialista

Por Redação 40 Graus   Segunda-Feira, 25 de Maio de 2026

A decisão de Jair Bolsonaro (PT) de apostar em seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PT), para disputar a próxima eleição para presidente, contrariou a lógica política da época, e os custos dessa escolha já estavam colocados desde o princípio. “A direita armou, criou uma armadilha para si mesma”, afirma o cientista político Fernando Schüler.

Durante debate no programa Canal Livre, os analistas destacaram que o raciocínio político tradicional apontava para Tarcísio de Freitas como o candidato ideal, mas o ex-presidente optou pelo chamado “familismo” –a vontade de manter o seu próprio sangue e sobrenome como representantes na disputa.

Segundo os especialistas, Tarcísio representava o grande medo da campanha do PT: um candidato de direita que, embora fosse apoiado por Bolsonaro, tinha a capacidade de dialogar com o centro político. No Brasil, são os 6% a 8% dos eleitores de fora do voto cristalizado que decidem a eleição. Com a saída de Tarcísio do páreo, esse risco desapareceu para o governo.

Atualmente, mesmo com os desgastes e denúncias envolvendo Flávio, a direita se encontra sem alternativas viáveis para substituí-lo. Diante desse cenário, sem um substituto forte, o eleitor bolsonarista –que é altamente fiel e movido pelo sentimento anti-PT– só abandonaria Flávio se ele demonstrasse estar muito perdido politicamente e passasse por uma grande “sangria”.

“Para o Flávio não ser um nome competitivo, pelo que a gente entende dos estudos do bolsonarismo, ele tem que sangrar muito. O que eu tenho percebido nos estudos, pelo menos desde 2014 que a gente estuda isso, é que o eleitor bolsonarista é muito fiel. Flávio tem que demonstrar muita fragilidade para o eleitor entender que ele não é mais um nome competitivo. –Deysi Cioccari”.

Ironicamente, a campanha de Lula comemora essa limitação da direita e prefere ter Flávio como adversário. A orientação do atual governo tem sido a de “bater no Flávio, mas não muito”. O próprio presidente Lula chegou a minimizar os áudios recentes de Flávio, tratando o caso como “coisa de polícia”, pois, politicamente, não interessa ao governo que Flávio seja retirado do jogo eleitoral neste momento.

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