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Mais um aliado de Flávio Bolsonaro é alvo da PF por lavagem de dinheiro dos combustíveis

Por Brasil 247   Terça-Feira, 7 de Julho de 2026

Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e aliado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tornou-se alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (7) em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis no Rio de Janeiro. O político havia sido indicado pelo senador bolsonarista, pré-candidato à Presidência, para disputar uma vaga ao Senado pelo estado, segundo a Folha de São Paulo.

Canella é um dos principais nomes da articulação eleitoral de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. A ação da PF, porém, colocou o aliado do senador no centro da sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura a suspeita de atuação de uma organização criminosa com possível participação de agentes públicos e uso de postos de combustíveis para lavar dinheiro.

A operação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, a Polícia Federal cumpre 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

Além de Canella, também é alvo da ofensiva o delegado Marcus Amin, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro durante a gestão de Cláudio Castro (PL). A investigação mira suspeitas de contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros possíveis crimes que poderão surgir no decorrer das apurações.

Segundo a Polícia Federal, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Os investigadores apuram se parte desses recursos passou por estruturas ligadas a postos de combustíveis usadas para ocultar a origem do dinheiro.

A condição de Canella como aliado de Flávio Bolsonaro dá dimensão política à operação. O ex-prefeito de Belford Roxo foi apresentado pelo senador como opção para a disputa ao Senado em 2026, em uma composição voltada a fortalecer o campo bolsonarista no Rio de Janeiro.

Canella já havia sido citado em reportagens anteriores da Folha de São Paulo por decisões tomadas durante sua passagem pela prefeitura de Belford Roxo. Segundo o jornal, ele nomeou dois condenados por práticas de milícia para cargos de secretários municipais na cidade da Baixada Fluminense.

Marcus Amin, por sua vez, assumiu o comando da Polícia Civil em outubro de 2023, após pressão de deputados estaduais sobre o governo Cláudio Castro. Ele substituiu o delegado José Renato Torres, que havia ficado apenas um mês no cargo e resistia a indicações feitas por integrantes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Amin deixou a chefia da Polícia Civil em setembro de 2024, quando foi substituído pelo delegado Felipe Curi. Logo depois, passou a ocupar um cargo de coordenador de segurança na Alerj, então presidida por Rodrigo Bacellar (PL), atualmente preso.

O delegado também tinha relação política com Márcio Canella. Quando exercia mandato de deputado estadual, o ex-prefeito de Belford Roxo concedeu a Amin a Medalha Tiradentes, principal comenda da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A nova fase da Operação Unha e Carne aprofunda a investigação sobre a suspeita de que postos de combustíveis no Rio tenham sido usados para movimentar e lavar recursos bilionários. Com Canella entre os alvos, a apuração atinge diretamente um nome escolhido por Flávio Bolsonaro para compor sua estratégia eleitoral no estado.

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