Ex-prefeito de Desterro é preso em Operação após PF encontrar munições, sendo solto após pagar fiança
Por Vicente Conserva - 40 graus Sexta-Feira, 8 de Maio de 2026
Um dos alvos de busca e apreensão da Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União que deflagraram nesta quinta-feira (7) a Operação Viga Mestra, que investiga possíveis fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos firmados pelas prefeituras de Cacimbas e Desterro, no Sertão da Paraíba, o ex-prefeito de Desterro, Valtércio de Almeida Justo (Sinhô), acabou sendo preso após a PF encontrar 41 (quarenta e uma) munições de calibre .38 não deflagradas e 02 (dois) cartuchos deflagrados em sua posse.
Segundo informações da PF, por volta das 06h, na Zona Rural de Desterro/PB, especificamente no Distrito de Tataíra, Sinhô foi flagrado com munições de uso permitido sem autorização legal.

Embora o ex-prefeito possuísse registro de diversas armas, informou não possuir em seu acervo legal o calibre correspondente às munições encontradas. Diante da posse irregular, foi dada voz de prisão em flagrante pelo crime previsto no artigo 12 da Lei nº 10.826/2003.
Valtércio foi interrogado pela autoridade policial e optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.
A PF realizou o laudo traumatológico e constatou a ausência de lesões, lavrando a
Nota de Culpa e Nota de Garantias constitucionais sendo devidamente entregues.
A autoridade policial arbitrou fiança no valor de R$ 8.000,00, que foi recolhida e apresentado o comprovante de pagamento via Pix.
Em audiência de custódia no Núcleo de Plantão Judiciário do 1º Grau de Jurisdição – NUPLAN, o juiz plantonista Diogo de Mendonça Furtado homologou a prisão em flagrante, bem como a fiança arbitrada pelo delegado, mas decidiu pelo relaxamento da prisão após comprovar pagamento da fiança.

O ex-prefeito Valtércio deve responder pelo seguinte crime.
"(Lei nº 10.826/2003) Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa."
Ele tem 58 anos e foi prefeito de Desterro por dois mandatos até 2024 pelo partido Republicanos. Divorciado, declarou ao TSE a ocupação de advogado, com superior completo, e um patrimônio declarado de R$ 224.000,00. Desterro tem uma população estimada em 2025 de 8.314 pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
A PF não informou o pesa contra o ex-prefeito dentro da Operação Viga Mestra.
Polícia Federal mira Desterro e Cacimbas em suspeita de fraudes que movimentaram mais de R$ 33 milhões
Durante a operação, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça no âmbito das investigações em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados nos municípios de Desterro, Patos e João Pessoa.
Segundo a PF e a CGU, as apurações identificaram indícios de direcionamento em contratações públicas, com possível favorecimento a empresas do setor da construção civil que atuam na Paraíba.
As investigações apontam ainda para o uso de “laranjas” para ocultar os verdadeiros beneficiários dos recursos públicos. Além disso, os órgãos identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo transferências recorrentes, saques em dinheiro e circulação de valores incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

De acordo com os investigadores, essas operações podem indicar a prática de lavagem de dinheiro.
Os levantamentos realizados pela Polícia Federal mostram que as empresas investigadas receberam mais de R$ 33 milhões em contratos com os municípios paraibanos sob investigação.
Parte significativa desses recursos seria proveniente de verbas federais destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Fundeb, fundo voltado ao financiamento da educação básica.
A operação segue em andamento e novas medidas podem ser adotadas ao longo das investigações.