[ÁUDIO] Líder de facção conta como controla o tráfico de drogas em Patos e região de dentro de presídio
Por Vicente Conserva - 40 Graus Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2021
As Polícias Civil e Militar vêm montando um verdadeiro quebra-cabeça para entender como funciona uma organização criminosa montada para atuar em Patos e em diversos municípios do Sertão com operações fabulosas de tráfico de drogas, assassinatos, assalto a bancos e roubos diversos.
Após uma operação realizada no último dia 12 de agosto, para repressão qualificada ao tráfico de drogas, e para cumprir um mandado de prisão contra Raimundo Nonato Costa, conhecido popularmente por ‘Coroa Nonato’ e um outro traficante, forças de segurança começaram a conhecer o modus operandi da quadrilha e a desbaratar aos poucos toda sua estrutura.
As operações vêm sendo comandadas pelo superintendente da Polícia Civil em Patos, delegado Cristiano Jacques, que voltou recentemente para Patos, e pelo comandante da CPR II da Polícia Militar, coronel Francisco Campos.
Foi nesta operação do dia 12 de agosto que ocorreu a apreensão de drogas, celulares, armas e um material referente a uma organização criminosa que atua em Patos e região.

Naquela oportunidade, ‘Coroa Nonato’ reagiu e foi morto após atirar contra policiais. E foi a partir do achado de seu celular, através conversas por áudio e escrito, que a polícia começou a tomar conhecimento do seu modo de agir e como ele comandava o tráfico de droga e armas.
De acordo com a investigação, o comando do tráfico de drogas e as mortes eram ordenadas de dentro de um presídio de João Pessoa, de onde a organização recebia os comandos para operar em Pombal e região.
Em um dos áudios revelados agora pela Polícia Civil, é possível ouvir quando o bandido explica como funciona o tráfico de drogas e como ele faz para manter o controle, mesmo de dentro do presídio.
“Eu tenho nove pessoas que são de fora, é de João Pessoa, Natal, Patos, Cajazeiras e vive aí, e não ficam desarmados, todos tem suas peças. Eu não posso tirar e colocar na sua mão. Aí só não vai vender mais ninguém que não seja eu. Se eu pegar vendendo aí dentro que não for meu, pode ser quem for, eu mato mesmo, não passo caminhada pra ninguém não. E se perguntar eu digo: ‘tava vendendo droga de outro caba na minha quebrada’”, diz o traficante.
Ainda no áudio, o líder da facção diz que se alguém mexer com os que trabalham para ele, vão ser mortos. Ele disse que na área em que ele comando, só ele pode vender drogas.
“Se mexer com menino meu eu mato até as galinhas, não tem isso não. Eu vou conversar com tudinho, se eu pegar eu mando matar. O cara não pode pegar e vender na área dos outros. Eu vendi 350 gramas de óleo ali e Teté achou ruim, disse que não era pra vender mais, de boa, ele não quer. Agora dele aí dentro se eu pegar eu mesmo resolvo”, afirma o traficante.
Polícias prendem 11 pessoas ligadas a quadrilha em outra operação
Uma operação policial desarticulou nesta quinta-feira (02), uma organização criminosa responsável por crimes de homicídio e comércio ilegal de drogas na região de Pombal. A Operação Altiplano é fruto de uma investigação da Polícia Civil e foi deflagrada em ação conjunta com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
De acordo com a Polícia Civil, a operação é um desdobramento da ação realizada no dia 12 de agosto, que acabou com a morte de Raimundo Nonato da Costa, de 57 anos.
De acordo com as investigações, as ordens para o cometimento dos crimes partiam de dentro de uma penitenciária em João Pessoa. Onze pessoas foram presas na operação, e armas, drogas e munições foram apreendidas.
Entre os presos estão um irmão e um filho de Raimundo Nonato da Costa, vulgo “Coroa Nonato”, morto em confronto com as polícias no dia 12 de agosto, durante uma operação policial na zona rural de Pombal.
“É uma organização que vinha cometendo vários crimes naquela região do estado e até em outros municípios. Já estamos investigando esse grupo há um bom tempo e temos provas robustas das atrocidades cometidas por essa quadrilha”, disse o superintendente da Polícia Civil na região do Sertão, delegado Cristiano Jacques.
Com a morte de Nonato e a prisão de dois familiares do clã, a organização criminosa sofre um grande impacto na região de Pombal.
A Polícia Civil continua investigando outros membros do grupo, que podem ser presos a qualquer momento.