Taradões de Patos são vítimas do ‘golpe do nudes’ no WhatsApp
Por Vicente Conserva - 40 Graus com Patosonline Terça-Feira, 5 de Janeiro de 2021
Com o objetivo de extorquir dinheiro de vítimas, criminosos se passam por mulheres, iniciam conversas, trocam fotos e simulam a troca de mensagens eróticas. Em vários estados do país a Polícia Civil já investiga o uso de perfis falsos nas redes sociais para aplicar o chamado 'golpe dos nudes'.
O golpe já se espalhou pelo Brasil afora e chegou até a cidade de Patos, no interior da Paraíba. Uma grande leva de homens da cidade, metidos a garanhões, estão relatando que estão sendo vítimas deste golpe nas redes sociais.

Nesta semana, vários adeptos da prática de nudes em Patos relataram que caíram no golpe. Uma das vítimas de Patos relatou que foi extorquido e, por pouco, não perdeu cerca de R$ 6.000,00 para os estelionatários que usam perfis falsos na internet.
O programa Fantástico da Rede Globo exibiu uma reportagem falando que o crime conhecido como 'sextorsão' se define como a ameaça de se divulgar imagens íntimas para forçar alguém a fazer algo - ou por vingança, ou humilhação ou para extorsão financeira.

"No Facebook dela existiam fotos. Belíssima, muito elegante. Pela conversa, me mostrava ser adulta", lembra o empresário patoense.
De início, o contato é feito pelo Facebook com pedido de amizade ou mesmo troca de mensagens. “Oi, gato! Adorei você…sou uma pessoa que adora fazer amizades e gosto de ousadia…me passa seu WhatsApp para a gente falar melhor…”, relata a mulher, geralmente jovem.
As conversas avançam e após algumas trocas de fotos eróticas entre si, elas pedem o número do WhatsApp da vítima. A troca fica ainda mais ousada e a vítima não percebe o envolvimento perigoso.
Os golpistas então partem para a nova etapa do golpe: “a suposta garota diz que é menor de idade, mas que isso é bobagem, pois todos fazem isso. Ela pede também uma foto íntima em forma de retribuição”.
Daí os golpistas se passam por delegados e advogados da suposta garota e alegam a existência de uma suposta investigação por pedofilia, para praticar a extorsão.
Mesmo que não tenha enviado fotos eróticas, o homem afirma que passou a ser extorquido, primeiro por um suposto tio, depois, por um delegado que seria de Lajeado, no Vale do Taquari.
Para se fazer passar pelo policial, o suspeito criou uma conta no WhatsApp usando uma foto retirada da internet do delegado José Romaci Reis.

O “advogado”, de posse de várias informações, muitas delas das próprias redes sociais, começa uma chantagem que a vítima acaba cedendo com medo do escândalo.
"Eu fiquei surpreso. Porque, na verdade, gente nunca espera que vá acontecer com a gente. Que alguém ia pegar minha foto e usar pra cometer golpes. Eu achei muito estranho, até porque é muita ousadia de um indivíduo querer dar golpe usando fotos e nomes de outras pessoas", conta a vítima.
Para a psicóloga e diretora da ONG Safernet, Juliana Cunha, a exposição a este tipo de situação gera constrangimento e até quadros de ansiedade, o que faz com que muitas vítimas cedam às ameaças.
"É um tipo de impacto que ninguém quer que a família saiba ou que isso chegue no trabalho. Então claro que todo mundo fica receoso e preocupado com isso", afirma.