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Número de medidas protetivas é maior que o de denúncias contra agressores em 2019, na PB

Por G1 Paraíba   Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

O número de medidas protetivas solicitadas em 2019 ultrapassou o total de inquéritos instaurados em relação à violência contra a mulher, na Paraíba. Isso significa que muitas mulheres não denunciam e decidem não abrir investigação contra o agressor, mas solicitam a medida protetiva. Os dados são da Coordenação das Delegacias de Atendimento a Mulher da Paraíba.

No total, foram 4.941 medidas protetivas solicitadas e executadas em 2019, contra 4.624 inquéritos policiais instaurados para investigar casos de violência doméstica.

O mês mais violento e que mais teve mulheres agredidas, considerando a quantidade de denúncias, foi o mês de maio, com 473 investigações abertas. Em contrapartida, o mês de novembro teve mais medidas protetivas solicitadas, foram 477.

Violência contra a mulher em 2019 na Paraíba

Mês Inquéritos policiais Medidas protetivas
Janeiro 402 397
Fevereiro 320 347
Março 301 396
Abril 358 431
Maio 473 411
Junho 337 359
Julho 413 414
Agosto 440 443
Setembro 378 413
Outubro 372 449
Novembro 459 477
Dezembro 371 409
TOTAL 4.624 4.941

Fonte: Coordeam

Conforme a delegada adjunta da mulher de João Pessoa, Renata Matias, há outros casos que são registrados e, no entanto, a vítima prefere que a polícia não investigue o caso.

Muitas vezes, durante o registro da denúncia, há o pedido, feito pela vítima, de uma medida protetiva. Porém, os números não são os mesmos dos inquéritos, já que muitas mulheres escolhem pela não investigação ou, simplesmente, abrem o inquérito e não solicitam a medida protetiva.

São 14 delegacias especializadas da mulher na Paraíba. A que apresentou mais inquéritos abertos é a de Campina Grande, com 1.540. Em seguida está a cidade de João Pessoa, que possui duas delegacias, uma na Zona Sul e outra na Zona Norte. Juntas, elas somam 1.153 investigações.

Denúncias e medidas protetivas em 2019 na Paraíba

Mulheres pedem mais proteção, mas não dão andamento a investigações

Medidas protetivas: 4.941Inquéritos policiais: 4.624

Fonte: Coordeam

Em apenas dois meses do ano de 2019, janeiro e maio, o número de investigações abertas foi maior que o de medidas protetivas solicitadas. Em janeiro, foram instaurados 402 inquéritos policiais e 397 medidas protetivas foram pedidas por mulheres. Já em maior, mês com mais investigação, das 473 denúncias, 411 solicitaram medidas protetivas.

“O inquérito é quando foi aberta a investigação. Existem situações e casos em que a mulher só faz a solicitação da medida protetiva. Elas [as medidas protetivas] existem com representação, quando abre o inquérito policial, e sem representação, quando não abre o inquérito”, explicou Renata.

 

A Lei Maria da Penha, que abraça as mulheres vítimas de violência contra a mulher com punição ao agressor, não engloba apenas a violência física. Também culminam em crime a violência psicológica, verbal e patrimonial. “É comum ter em um mesmo inquérito mais de um tipo de violência. Inclusive, muitas mulheres não acreditam na violência verbal”, declara Renata.

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