Polícia Civil monta quebra-cabeça para desvendar quem matou bebê de três semanas em Patos, o pai ou a mãe
Por Vicente Conserva 40 graus com Patosonline Quinta-Feira, 15 de Outubro de 2026
O crime que chocou toda a sociedade patoense vai precisar de muita investigação para ser desvendado pela Polícia Civil que está montando um verdadeiro quebra-cabeça para desvendar a morte de Bryan Gabriel, um bebê de apenas três semanas que foi atingido por pelo menos 15 golpes de faca na manhã desta quarta-feira (14), no bairro Dona Milindra, em Patos, no Sertão da Paraíba. Os pais da criança, Marcos Gabriel e Mirelly Layla, ambos de 19 anos, foram presos logo após o crime e encaminhados à carceragem.
Para a polícia, um é responsável pelos golpes e outro por omissão de socorro. Até o momento, não é possível dizer qual a responsabilidade de cada um. Foi o que revelou o delegado Emerson Barbosa, da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, que informou que os dois suspeitos apresentaram versões conflitantes durante os interrogatórios, atribuindo um ao outro a responsabilidade pelo crime.
Diante das circunstâncias e dos elementos reunidos inicialmente, a Polícia Civil decidiu manter ambos presos e encaminhar o caso ao Poder Judiciário.
Em depoimento, o pai afirmou que a mãe teria atacado o bebê por ciúmes da atenção que ele dedicava à criança. Ele relatou ter presenciado o primeiro golpe e, em seguida, deixado a residência em desespero.
Ainda conforme o relato apresentado pelo suspeito, ele não teria retornado para verificar o estado de saúde do filho após sair do imóvel por ter ficado em estado de choque e aflito. A versão é investigada ainda pela polícia, especialmente quanto à possível omissão de socorro.

Já a mãe apresentou uma versão diferente. De acordo com o delegado, ela afirmou que o pai teria iniciado uma discussão porque não queria que ela deixasse a residência levando a criança. Segundo a versão dela, o homem teria oferecido uma faca, repetidas vezes e, posteriormente, segurado seus braços e forçado sua mão a desferir os golpes, inicialmente contra ele.
Conforme o delegado, as declarações ainda precisam ser confrontadas com os demais elementos da investigação. Até o momento, a Polícia Civil não concluiu quem teria desferido os golpes nem definiu a responsabilidade individual de cada um dos investigados.
Em áudio conseguido pela reportagem atribuído a uma vizinha do casal, a mulher relata que ouviu gritos de uma discussão enquanto estava no muro da residência ouvindo som, e depois um grito por socorro vindo da voz de uma mulher.
A testemunha relatou que ouviu quando ele disse que Layla estava querendo dar uma facada nele e ela estava dizendo que Marcos tinha matado o menino. “Foi quando eu sai e vi ela cheia de sangue pelo corpo dizendo que tinha o vídeo ele matando a criança, e relatando que tinha sido ele.
Porém, segundo a vizinha, Marcos não tinha manchas de sangue pelo corpo e que ele se melou quando ela o abraçou. “Ele começou a dizer: não fui eu não, foi você que matou nosso filho. Eu amava meu filho”.
A vizinha contou ainda que a mãe estava a todo momento muito calma e só se alterou após a chegada da polícia. Enquanto ele estava a todo momento muito aflito. “O corte no dedo da mãe, segundo ele, foi ela que se cortou quando deu o golpe na criança”, relatou ela.
Relacionamento e circunstâncias do crime
Emerson Barbosa relatou que o casal teve um relacionamento marcado por separações e reconciliações. Conforme as informações apuradas nos interrogatórios, os dois se conheceram por meio do jogo on-line Free Fire e chegaram a morar juntos em Minas Gerais por cerca de quatro a cinco meses.
Posteriormente, retornaram à Paraíba e alugaram uma residência em Patos. À época do crime, porém, não estavam mais vivendo juntos. Segundo o delegado, a mãe havia retornado para um antigo companheiro, residente em São Bento, e foi a Patos para buscar seus pertences.

A discussão teria ocorrido enquanto ela organizava as roupas e os objetos pessoais para deixar a cidade. A possível motivação e a dinâmica exata do homicídio ainda estão sendo investigadas.
Perícia deve auxiliar na definição das responsabilidades
De acordo com o delegado, a Polícia Civil aguarda resultados de exames periciais complementares para esclarecer as circunstâncias da morte e definir o enquadramento jurídico do caso. A investigação considera, entre outras possibilidades, a qualificadora do motivo fútil e a eventual ocorrência de omissão de socorro.
De acordo com informações confirmadas pelo perito criminal Adriano Medeiros, do Núcleo de Criminalística do Instituto de Polícia Científica (IPC) de Patos, foram identificadas pelo menos 15 lesões no corpo da criança, incluindo face, tórax, abdômen, braços e costas. No local, a perícia coletou uma faca do tipo peixeira, que será submetida a exames complementares.

Os dois suspeitos foram encaminhados à carceragem e apresentados ao Poder Judiciário. A situação prisional de ambos deverá ser analisada em audiência de custódia.
O delegado classificou o caso como extremamente lamentável e destacou que os depoimentos, os vestígios encontrados na residência e os resultados das perícias serão fundamentais para esclarecer o que aconteceu e determinar a participação de cada investigado.