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A importância da atividade física no tratamento da dependência química

Por Deusimar Wanderley - Psicólogo   Terça-Feira, 28 de Julho de 2026

A prática de atividades físicas e desportivas sempre esteve presente em todas as sociedades humanas desde a Antiguidade. No entanto, foi com o advento dos tempos modernos, e da revolução tecnológica e científica, que os exercícios físicos se tornaram uma necessidade, tendo em vista, a mudança do estilo de vida das pessoas e, consequentemente, a alta prevalência de males como: estresse, ansiedade, sedentarismo, diabetes, hipertensão arterial, doenças coronarianas etc., que passaram a acometer a saúde e o bem estar dos seres humanos.

Vários estudos científicos têm demonstrado que o estilo de vida voltado para a prática de atividades físicas, especialmente quando executadas desde a infância e a adolescência, tende a se manter de forma duradoura na vida adulta, favorecendo a continuidade de um modo de vida saudável e também se mostrando ser um importante fator de proteção em relação a uma série de problemas, inclusive o consumo indevido de drogas.

A prática desportiva além de se constituir num excelente alicerce para a prevenção de doenças psicofísicas, também está diretamente relacionada com a melhora da autoestima, da capacidade de lidar com o estresse, com o aumento do desempenho acadêmico e com o estreitamento das relações familiares e sociais. Também é capaz de melhorar sintomas depressivos e ansiosos, contribuindo assim para o aprimoramento da saúde física e mentalemocional daqueles que a praticam. Tratados preliminares sugerem que, tanto a prática de exercícios físicos como o uso de substâncias psicoativas, ativa o sistema de recompensa cerebral. Contudo, o primeiro não acarreta malefícios ao organismo humano.

Desta forma, as atividades esportivas conseguem afetar positivamente as operações dopaminérgicas, e essa neurotransmissão mantém-se elevada promovendo assim uma relação positiva entre a atividade física e a recusa e ou diminuição do suo de drogas. Mas, tais benefícios não estão restritos ao aspecto de prevenção ao uso de substâncias psicoativas. Estudiosos dessa temática também observaram que, a instituição de exercícios aeróbicos diminuiu o reforço positivo para o consumo de cocaína, por exemplo, após seis semanas, sugerindo que esse tipo de atividade pode ser uma intervenção efetiva no tratamento da dependência dessa droga. Assim, pode-se dizer que a prática esportiva é útil tanto como uma estratégia de prevenção quanto como adjuvante do processo de tratamento da dependência química. Os exercícios físicos promovem no praticante, uma modificação e aperfeiçoamento das percepções do próprio corpo e suas funções, melhorando a aparência física, a motivação, e, consequentemente, o aspecto psicomotor do indivíduo, ocasionando com isto uma regeneração psicológica (autoestima, autoconhecimento, autoconfiança) e a otimização das relações familiares, sociais e laborais.

Além disso, o ambiente de treinamento pode oferecer ao usuário de drogas em recuperação, uma importante rede de relacionamentos, que servirá de apoio para a manutenção da abstinência. Para tanto, o profissional de educação física tem um papel essencial, tanto como facilitador para a formação dessa nova rede de amizades, quanto no monitoramento acerca do uso de drogas. A participação do educador físico é de suma importância, pois este terá como missão não só elaborar um programa de exercícios físicos afinados com as preferências e necessidades individuais dos praticantes, mas também de adaptá-los às limitações físicas e motivacionais decorrentes do uso de drogas, sabendo em que momento poupá-los e ou estimulá-los.

No entanto, deve-se admitir que, a mera prática do exercício físico não pode ser considerada isoladamente como solução do problema do uso indevido de drogas. Esta tem que estar associada a outras estratégias de cuidados. Nessa importante empreitada, é importante a parceria e participação efetiva de familiares, da assistência social e psicológica, dos grupos de autoajuda e religiosos (caso o usuário aceite) etc. Não há dúvidas que a atividade física contribui para o desenvolvimento de habilidades psicológicas e sociais de indivíduos em tratamento da dependência química, auxiliando-os tanto na mudança do estilo de vida quanto no despertar para a prática esportiva, ambos relacionados com o sucesso do tratamento.

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