[OPINIÃO] A derrota faz parte do esporte. O preconceito, não.
Por Professor Espedito Filho Sábado, 25 de Julho de 2026
A eliminação da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei na Liga das Nações deveria abrir espaço para análises técnicas, esportivas e táticas. Em vez disso, muitos aproveitaram o resultado para destilar preconceito, especialmente contra atletas homossexuais. Isso não é crítica esportiva. É intolerância.
Hannah Arendt alertava que o ressentimento e a desumanização podem transformar pessoas em uma massa que encontra no ódio uma forma de se afirmar. É justamente isso que acontece quando uma derrota esportiva deixa de ser analisada dentro das quadras e passa a servir de combustível para ataques preconceituosos.
As redes sociais, que nasceram para aproximar pessoas, muitas vezes se transformam em um verdadeiro naufrágio da convivência. A informação perde espaço para a ofensa, o diálogo cede lugar ao julgamento e o respeito é substituído pela necessidade de atacar quem pensa, vive ou ama de forma diferente.
Em um país que se orgulha de sua diversidade e que se declara majoritariamente cristão, é inevitável perguntar: onde estão a compaixão, o respeito e o amor ao próximo?
O esporte sempre foi um dos maiores símbolos da convivência entre as diferenças. O Brasil construiu sua história com atletas de diferentes origens, etnias, crenças e identidades. Nunca foi a orientação sexual que determinou vitórias ou derrotas, mas o talento, a disciplina e o compromisso com a equipe.
E fica uma reflexão: o que estamos ensinando às próximas gerações? Que uma derrota justifica o preconceito? Que a diferença merece ser ridicularizada? Ou que a dignidade humana deve estar acima de qualquer resultado esportivo?
Meu repúdio é ao preconceito travestido de opinião. Sou fã do esporte, fã da Seleção Brasileira e fã dos brasileiros que acreditam no respeito.
E, para lembrar Hannah Arendt, o verdadeiro empobrecimento da sociedade acontece quando o ressentimento e a intolerância ocupam o lugar da humanidade. A "ralé", nesse sentido, não é definida por condição social, mas pela escolha de transformar o ódio em identidade e a desumanização em prática.
Por fim, para aqueles que insistem em dizer que "antigamente era melhor", deixo apenas uma reflexão: se tudo no passado fosse realmente perfeito, a humanidade nunca teria precisado mudar. Evoluir é corrigir injustiças, não sentir saudades delas.
Escrito por Professor Espedito Filho