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Propinas na educação chegavam a até 45% na Paraíba, diz empresário

Por Click PB   Quinta-Feira, 4 de Fevereiro de 2021

As supostas propinas da área de educação investigadas na Operação Calvário tinham percentuais de 5% a 30%, e chegaram a até 45%, segundo o empresário Vladimir Neiva, da Grafset, em delação anexada à denúncia protocolizada hoje pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB).

O valor de 45% teria sido pago em cima do contrato de quase R$ 4.5 milhões. Veja:

“Geralmente a aquisição de livros rendia propina que poderia atingir 30% e os demais materiais (laboratórios, kits escolares etc.) poderiam atingir 20%”, diz a denúncia.

O período de pagamento teria sido de 2012 até 2018. De acordo com o MPPB, o destino seria Livânia Farias, que tratava do dinheiro dentro da Organização Criminosa.

De acordo com a investigação, até 30% dos valores dos contratos teriam sido repassados a gestores públicos como forma de propina. O empresário Pietro Harley teria chegado a formar uma empresa fantasma com Coriolano Coutinho para este fim. Ambos foram presos hoje.

O início da história remete a 2010, no que ficou conhecido como o ''escândalo dos livros''. Na época, o dono da empresa New Life Distribuição de Livros, Daniel Cosme Guimarães Gonçalves, denunciou ter sido vítima de um golpe, após ter nomeado Pietro Harley Dantas Félix para representá-lo em pregão da Secretaria de Educação de João Pessoa. Após vencer o pregão e entregar os livros, a empresa nunca recebeu os quase R$ 2,3 milhões referentes ao contrato, que teriam ficado com Pietro, em um golpe que pode ter sido facilitado pela prefeitura, que na época era gerida por Ricardo Coutinho.

De acordo com matéria publicada pelo ClickPB na época, e usada na investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Pietro Harley era amigo e frequentador assíduo do gabinete de Coriolano Coutinho, irmão do então prefeito, que ocupava o cargo de superintendente da Autarquia Especial de Limpeza Urbana de João Pessoa (Emlur).

Após o escândalo dos livros ser revelado na imprensa, Pietro Harley e Coriolano Coutinho criaram uma empresa fantasma para continuar vendendo livros em contratos fraudulentos. A Empresa Construindo Conhecimento Editora LTDA, tinha o nome de fantasia Editora C&C, o que seria uma alusão às iniciais de Coriolano Coutinho.

No quadro social da empresa havia pessoas de baixo poder aquisitivo, ligadas a Pietro Harley, como a esposa de seu motorista e segurança. Uma das sócias chegou a passar uma procuração para que a esposa de Pietro Harley, Camila Gabriella, atuasse na empresa em seu lugar.

A empresa participou de diversos processos licitatórios, com valores que chegavam a mais de R$ 6 milhões por contrato. Detalhes da atuação da empresa foram relatados pelo colaborador Bruno Donato, que participava do esquema e agora colabora com as investigações.

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