Onda de calor eleva temperaturas a 42ºC; Confira as regiões mais afetadas
Por Brasil 247 Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2026
Uma onda de calor deve levar as temperaturas a até 42ºC no Brasil nos próximos dias, atingindo localidades de pelo menos quatro regiões e ampliando os alertas relacionados à baixa umidade do ar. O cenário deve persistir ao menos até quinta-feira (20), enquanto o sul do Rio Grande do Sul terá uma situação distinta, marcada pela possibilidade de chuva intensa, alagamentos e transbordamento de rios.
As informações são da ClimaTempo. Temperaturas podem atingir entre 39ºC e 42ºC nas áreas mais impactadas pela onda de calor, resultado de um sistema de alta pressão que atua sobre o interior do país.
Bloqueio atmosférico mantém ar quente sobre o país
A elevação acentuada das temperaturas está relacionada à presença de uma área de alta pressão no interior do Brasil. O sistema provoca um bloqueio atmosférico, dificultando o avanço de frentes frias e mantendo sobre o território uma massa de ar que já vinha se aquecendo nos últimos dias.
Esse mecanismo também favorece o predomínio de tempo aberto e a redução da cobertura de nuvens em grande parte do país. Com mais horas de incidência direta do sol e pouca umidade disponível na atmosfera, as temperaturas encontram condições para subir ainda mais.
“O movimento do ar de cima para baixo, provocado por esta alta pressão atmosférica, vai deixar grande parte do Brasil com pouca ou nenhuma nebulosidade. Serão dias com muitas horas de sol forte. A baixa umidade do ar também será destaque”, informa a Climatempo, em boletim.
Pelos critérios meteorológicos citados no levantamento, uma onda de calor ocorre quando as temperaturas permanecem pelo menos 5ºC acima da média esperada para determinada época do ano durante cinco dias consecutivos. Quando a elevação fica entre 3ºC e 5ºC, o cenário é classificado como período de calor intenso.
Centro-Oeste concentra previsão de temperaturas de até 42ºC
As maiores temperaturas são esperadas em áreas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins, onde os termômetros podem atingir 42ºC.
Também haverá calor elevado no norte e no oeste de São Paulo, no Triângulo Mineiro, no oeste da Bahia, no sul do Maranhão e do Piauí, em parte do Tocantins, no sul do Pará e em Rondônia. Nessas áreas, as máximas previstas podem alcançar aproximadamente 39ºC.
Na Região Sul, o cenário predominante será de calor intenso, embora com temperaturas inferiores às projetadas para o Centro-Oeste. No oeste e no norte do Paraná, as máximas podem variar entre 35ºC e 37ºC. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, os termômetros devem registrar entre 32ºC e 34ºC.
Baixa umidade coloca regiões em alerta
Além das temperaturas elevadas, a queda da umidade relativa do ar será um dos principais efeitos do bloqueio atmosférico. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu para esta segunda-feira (17) alertas de perigo potencial, representados pela cor amarela, e de perigo, identificado pela cor laranja, para áreas do Sul e da região central do Brasil.
Nas localidades incluídas no alerta amarelo, a umidade relativa do ar pode variar entre 20% e 30%. Segundo as informações divulgadas, existe baixo risco de incêndios florestais nessas áreas.
A situação se torna mais crítica nas regiões sob alerta laranja. Nelas, os índices de umidade podem cair para uma faixa entre 12% e 20%, elevando o risco associado aos incêndios florestais.
Sul do Rio Grande do Sul enfrenta cenário oposto
Enquanto grande parte do Brasil enfrenta calor e tempo seco, o sul do Rio Grande do Sul aparece como exceção. A área foi colocada pelo Inmet sob alerta vermelho, classificado como de grande perigo, devido à previsão de chuva volumosa.
Os acumulados podem superar 100 milímetros em apenas um dia. A intensidade e a persistência da precipitação aumentam a possibilidade de alagamentos e de transbordamento de rios.
A instabilidade já atingiu o estado no domingo (16). Diversos municípios registraram chuva forte, e houve ocorrência de granizo em algumas localidades. De acordo com boletim da MetSul Meteorologia, as áreas afetadas incluíram o sul, o oeste, o centro e o leste do território gaúcho.
Contraste entre massas de ar favorece chuva
A meteorologista Estael Sias explica que a instabilidade no Rio Grande do Sul foi favorecida por um forte contraste térmico. Uma massa de ar frio permaneceu concentrada na região litorânea, ao mesmo tempo em que o interior continuou sob influência de uma massa de ar quente.
Essa diferença de temperatura criou condições favoráveis para a formação e a persistência das chuvas. O quadro de instabilidade deve permanecer entre o Sul do Brasil e o Uruguai.
A maior preocupação apontada pela meteorologista está na continuidade das precipitações fortes sobre o território uruguaio e o sul gaúcho. Caso os volumes elevados persistam, há risco de aumento dos níveis dos rios na região.
El Niño pode atingir intensidade muito forte
O quadro meteorológico ocorre também em meio ao aumento das probabilidades de formação de um El Niño de intensidade muito forte até o fim de 2026.
Na quinta-feira (13), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) elevou a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte nos próximos meses.
Para o período entre setembro e novembro, a estimativa apresentada é de 93% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte. No trimestre entre outubro e dezembro, essa possibilidade sobe para 95%.
Para esse último período, a NOAA também calcula em 69% a possibilidade de o evento climático se tornar o mais forte desde 1950, ano em que o órgão começou a acompanhar as temperaturas do Oceano Pacífico.