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Doação de múltiplos órgãos em Patos tira cinco pessoas da lista de espera

Por Secom-PB   Terça-Feira, 7 de Abril de 2026

A Central Estadual de Transplantes registrou, na manhã desta terça-feira (7), a sétima doação de múltiplos órgãos do ano. No Hospital Deputado Jandhuy Carneiro, em Patos, foram doados o fígado, os rins e as córneas de uma paciente de 28 anos, vítima de um edema cerebral, em decorrência de um acidente de moto.
 
A doadora estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital desde o último dia 2 de abril, quando o quadro evoluiu para morte encefálica, que foi confirmada após rigoroso protocolo adotado pela equipe médica. Com a confirmação da irreversibilidade do quadro, a família optou pela doação dos órgãos, atendendo, assim, a um desejo da doadora já expressado em vida, como contou a mãe da jovem.
 
“Ela sempre teve esse coração bom, sempre pensou nos outros. Quando ela falou sobre isso comigo, eu jamais imaginei que um dia teria que tomar essa decisão. Mas eu sabia que era o que ela queria. É muito difícil, mas conforta saber que ela continuará ajudando outras pessoas através deste gesto”, disse Maria do Socorro.

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Esta foi a segunda doação registrada na unidade hospitalar neste ano. Para a diretora da Central de Transplantes, Rafaela Dias, o gesto da família reforça a importância da conscientização sobre a doação de órgãos. “Mesmo em um momento de dor profunda, essa família teve a grandeza de respeitar o desejo da paciente e transformar a perda em esperança para outras pessoas. Cada doação é uma oportunidade de salvar e transformar vidas, e precisamos continuar fortalecendo essa cultura de solidariedade em nossa sociedade”, destacou.
 
Atualmente, 846 pessoas ainda aguardam na lista de espera por um transplante na Paraíba, sendo 638 para córneas, 176 para rim, 30 para fígado e duas para coração.
 
Entre a dor e a esperança
 
A história de B.R.A.S., de 28 anos, natural de Desterro, é daquelas que tocam profundamente pela dor de uma perda precoce, muito mais ainda pela grandeza do gesto que eternizará sua existência. Mãe de três crianças menores, filha dedicada e mulher de muitos sonhos, ela teve sua vida abruptamente interrompida após um acidente de motocicleta, ocorrido no último dia 2 de abril, na cidade de Cacimbas (PB). Socorrida em estado gravíssimo e reanimada várias vezes, a jovem chegou ao Hospital Deputado Jandhuy Carneiro, em Patos, apenas com fraca pulsação.
 
Pouco tempo após dar entrada na unidade, seu coração voltou a bater, mas já era tarde. Não havia reversão do quadro. O diagnóstico de morte cerebral foi confirmado pela equipe médica. A notícia devastadora deu início a um dos momentos mais difíceis para a família — mas também abriu espaço para a concretização de um desejo que ela cultivava em vida: o de salvar outras pessoas.
 
Criada até os 16 anos na zona rural, no Sítio Panasco, em Desterro, B.R.A.S. conheceu desde cedo a dureza da vida no campo, trabalhando como agricultora. Mesmo assim, sempre sonhou para além da porteira. Com coragem e determinação, foi morar na cidade e depois decidiu que a área de saúde era o que queria, pois salvar vidas lhe inspirava. Com muito esforço, conciliando responsabilidades familiares e dificuldades financeiras, ela começou a fazer o curso de Técnica de Enfermagem, no Vera Cruz, cuja formatura era prevista para o próximo mês de junho. 
 
Mais do que uma profissão, ela via na enfermagem uma missão. Durante o curso, aprofundou-se no tema da doação de órgãos — e ali encontrou um propósito ainda maior. À mãe, confidenciou mais de uma vez que desejava ser doadora, caso algo lhe acontecesse. Queria, de alguma forma, continuar salvando vidas. E foi exatamente isso que aconteceu.
 
Mesmo diante da dor da perda da filha única, da pessoa que a ajudava no dia a dia, a mãe encontrou forças e serenidade para respeitar e honrar esse desejo. Foi dela a autorização que permitiu que esse gesto de solidariedade se concretizasse. 
 
Para o primo, Gean Carlos Xavier, gerente comercial que acompanhou de perto todo o processo desde o acidente até a autorização da doação, atuando como elo entre a família e o hospital, a decisão reflete exatamente quem ela sempre foi. “Ela era alegria pura, uma pessoa extrovertida, cheia de vida. Nunca deixou que as dificuldades tirassem o sorriso do rosto. Sempre acreditou em dias melhores e tinha um desejo enorme de ajudar as pessoas. Esse gesto final da família reflete a maior prova do coração que ela tinha”, destacou.
 
Com a autorização da família, foram captados os rins esquerdo e direito, o fígado e as córneas da jovem. Os órgãos foram destinados a pacientes que aguardavam por transplantes nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, levando esperança a quem vivia à espera de uma nova chance.

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