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Dólar cai a R$ 5,20 e tem menor patamar desde maio de 2024

Por G1   Terça-Feira, 27 de Janeiro de 2026

O dólar fechou a sessão desta terça-feira (27) em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,2056 — no menor patamar desde maio de 2024. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,79% e registrou um novo recorde de fechamento, aos 181.919 pontos.

▶️ No Brasil, o principal destaque ficou com a prévia da inflação de janeiro (IPCA-15), divulgada nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador mostrou alta de 0,20%, levemente abaixo das projeções, de 0,22%.

▶️ O dado de inflação foi divulgado em meio às expectativas pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, previstas para amanhã, na chamada Superquarta. A previsão do mercado é que tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quanto o Federal Reserve (banco central americano) anunciem a manutenção de suas respectivas taxas de juros.

 

▶️ Investidores também monitoram com cautela as sinalizações do presidente Donald Trump sobre o novo nome escolhido para liderar o Fed. Há temores de que o indicado sofra pressão política para cortar juros mais rápido, o que poderia enfraquecer a independência do banco central.

▶️ Nos EUA também voltou ao radar o risco de paralisação do governo americano (shutdown), devido ao impasse no Congresso sobre o Orçamento e a área de segurança.

 

  • As preocupações voltaram a pesar nos mercados após Trump mudar de postura em relação ao estado de Minnesota, onde uma onda de protestos ganhou tração após a morte de um homem pela Patrulha das Fronteiras — o que reacendeu debates sobre a atuação do departamento de segurança interna dos EUA.

 

▶️ Ainda no cenário internacional, a União Europeia (UE) e a Índia fecharam um grande acordo comercial após 20 anos de negociações, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com um mercado de cerca de 2 bilhões de pessoas.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

 

💲Dólar

 

 

  • Acumulado da semana: -1,41%;
  • Acumulado do mês: -5,16%;
  • Acumulado do ano: -5,16%.

 

 

📈Ibovespa

 

 

  • Acumulado da semana: +1,71%;
  • Acumulado do mês: +12,91%;
  • Acumulado do ano: +12,91%.

 

 

Inflação menor do que o esperado

 

A prévia da inflação oficial (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, segundo o IBGE, um pouco abaixo do esperado pelo mercado, de alta de 0,22%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%.

Os maiores aumentos vieram de saúde e cuidados pessoais (como plano de saúde e produtos de higiene) e de comunicação (especialmente celulares).

A alimentação também voltou a subir, puxada por itens como tomate, batata, frutas e carnes, enquanto leite, arroz e café ficaram mais baratos.

Por outro lado, os preços de transportes caíram, principalmente por causa da queda nas passagens aéreas e de medidas como tarifa zero em algumas cidades.

 

De olho nos juros

 

A prévia da inflação de janeiro foi divulgada em meio às expectativas pela primeira decisão de juros deste ano. A estimativa do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha as taxas inalteradas nesta semana, mas dê início ao ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2026.

Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (26), os economistas do mercado financeiro estimam que a taxa básica (Selic) encerre 2026 em 12,25% ao ano — uma queda de 2,75 pontos percentuais (p.p.) em comparação ao atual patamar, de 15% ao ano.

A pesquisa do Focus é realizada semanalmente com mais de 100 instituições financeiras.

A decisão do Copom acontece no mesmo dia em que os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também se reúnem para definir as taxas de juros por lá, na chamada Superquarta. No caso americano, a expectativa também é de manutenção das taxas.

A principal preocupação, no entanto, fica por conta da sequência de embates entre o governo de Donald Trump e o Fed. Em afirmações recentes, o presidente americano voltou a atacar o presidente da instituição, Jerome Powell, ao ameaçar indiciá-lo por declarações feitas ao Congresso sobre o projeto de reforma de um edifício.

Trump também tem reforçado o posicionamento de que deve indicar um novo nome para a presidência do Fed em breve — situação que aumenta a cautela entre investidores, que seguem receosos de que o indicado possa ceder à pressão política e reduza os juros americanos mais rapidamente, o que poderia enfraquecer a independência do banco central.

O mandato de Powell termina em maio.

 

Tensões geopolíticas e novos acordos comerciais

 

Enquanto isso, as tensões geopolíticas continuam. Nesta segunda, Trump decidiu aumentar de 15% para 25% as tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, como carros, madeira e remédios.

O presidente dos EUA disse que tomou essa decisão porque o Parlamento sul-coreano não cumpriu um acordo comercial feito no ano passado. A Coreia do Sul afirmou que vai tentar negociar.

Ao mesmo tempo, a China anunciou que vai se aproximar ainda mais da Rússia, aumentando a cooperação entre os dois países para enfrentar riscos externos, principalmente depois que os EUA divulgaram uma nova estratégia de defesa.

Além disso, também ficou no radar dos investidores o novo pacto comercial entre a Europa e a Índia, firmado nesta terça-feira (27). O tratado reduz tarifas em vários setores e deve ampliar o comércio entre as duas regiões.

A UE espera economizar até 4 bilhões de euros por ano com a queda das taxas indianas, enquanto a Índia quer aumentar exportações de têxteis, joias e produtos de couro.

Entre os principais cortes estão os impostos sobre carros europeus (de 110% para 10%), vinho (de 150% para 20%) e produtos como massas e chocolate, que terão tarifas zeradas.

O acordo também prevê cooperação em áreas como tecnologia, investimentos, circulação de trabalhadores, educação, segurança e defesa.

Em um cenário global instável, UE e Índia buscam se fortalecer economicamente e reduzir a dependência de grandes potências como China, Rússia e Estados Unidos.

 

Bolsas globais

 

Em Wall Street, os índices fecharam sem direção única nesta terça-feira, conforme investidores aguardam pela decisão de juros do Fed.

O S&P 500 subiu 0,42%, enquanto o Nasdaq Composite avançou 0,91%. O Dow Jones, por sua vez, caiu 0,83%.

Do outro lado do Atlântico, a maioria dos índices europeus fechou em alta nesta terça-feira, impulsionadas pelo noticiário corporativo positivo na região.

Entre os destaques, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,6% e atingiu seu nível mais alto em uma semana. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,58%, enquanto o francês CAC 40 avançou 0,27%. Na Alemanha, por sua vez, o índice DAX caiu 0,15% na sessão.

As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, puxadas por sinais de melhora nos lucros das empresas chinesas e pelo bom desempenho recente das bolsas americanas

Na China, o índice de Xangai subiu 0,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas do país, ficou praticamente estável, com leve queda de 0,03%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,35%, refletindo principalmente a alta das ações de tecnologia.

Outros mercados asiáticos também acompanharam o movimento positivo. Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 0,85%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve forte alta de 2,73%. Em Taiwan, o Taiex avançou 0,79%. Já em Cingapura, o Straits Times ganhou 1,28%, e, na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,92%.

Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik

Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik

*Com informações da agência de notícias Reuters

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