Taxa Selic cai para 14% ao ano: renda fixa ainda vale a pena?
Por O Globo Quinta-Feira, 6 de Agosto de 2026
Como já era majoritariamente esperado pelos agentes do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano, em mais um corte de 0,25 ponto percentual.
Diante da decisão, a dúvida que fica para os investidores é: ainda vale a pena seguir investindo em renda fixa ou é hora de buscar alternativas de maior risco e retorno?
Para especialistas, a resposta continua sendo favorável à renda fixa. Embora os cortes reduzam gradualmente a rentabilidade das aplicações, os juros básicos seguem em um patamar historicamente muito elevado no Brasil, mantendo esses investimentos atrativos.
Pós-fixados seguem na liderança
Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, afirma que, nas últimas semanas, houve uma mudança importante na curva de juros. As taxas dos títulos de curto prazo recuaram, enquanto as dos papéis mais longos passaram a oferecer remunerações maiores.
— As taxas com vencimentos mais curtos hoje estão pagando menos do que pagavam há 45 dias, enquanto as mais longas passaram a pagar mais. Isso aconteceu porque tivemos surpresas positivas na inflação brasileira, o que reforçou a expectativa de que o ciclo de cortes da Selic pode ir mais longe.
Ao mesmo tempo, segundo ele, o cenário fiscal e internacional continua cercado de incertezas, o que faz com que os investidores exijam um prêmio maior para aplicar em títulos de prazos mais longos.
Na avaliação de Freller, o principal ponto de atenção do investidor neste momento não é escolher entre aplicações de curto ou longo prazo, mas definir qual indexador faz mais sentido para a carteira.
— Nossa principal visão hoje não é em relação ao prazo, mas ao indexador. A ordem de preferência é pós-fixados, como o Tesouro Selic; depois IPCA+ e, por último, prefixados.
Segundo o estrategista, a preferência pelos títulos pós-fixados decorre da expectativa de que os juros permaneçam elevados por mais tempo do que o mercado projeta atualmente.
— Temos a visão de que a inflação vai continuar elevada e não vai convergir para a meta tão rapidamente por causa das questões fiscais. Consequentemente, acreditamos que a Selic não vai cair tanto quanto os economistas projetam hoje no Focus. Por isso, não gostamos dos prefixados, nem da parte curta nem da longa da curva.