Diálogos indicam que Moro articulava com desembargadores do TRF-4
Por Alisson Matos - Carta Capital Segunda-Feira, 15 de Março de 2021
A defesa do ex-presidente Lula enviou ao Supremo Tribunal Federal um documento com conversas de integrantes da Força-Tarefa da Operação Lava Jato em um grupo do Telegram.
Os novos diálogos indicam que os procuradores acreditam que o então juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba, mantinha contato com desembargadores da 8ª Turma Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, onde os casos do ex-presidente Lula seriam julgados na 2ª instância.
A Turma era composta por João Pedro Gebran Neto, relator dos casos, Leandro Paulsen e Carlos Eduardo Thompson Flores.
De acordo com os documentos, Moro era tratado pelos procuradores como ‘Russo’ e o TRF-4 era chamado de ‘a Rússia do Russo’ e de ‘Kremelin’.
No dia 17 de abril de 2017, os integrantes da Força-Tarefa afirmavam não acreditar em reversão de uma decisão de Moro pelo Tribunal de apelação.

“Ao tomar conhecimento de que o ex-juiz Sergio Moro havia exigido a presença do Reclamante na oitiva das 87 testemunhas de defesa4 indicadas em 17.04.2017, no caso do suposto imóvel para o Instituto Lula — o que foi encarado como ‘troco’ de MORO —, o citado procurador da República ORLANDO MARTELLO JÚNIOR alertou os colegas sobre a ilegalidade da conduta da ‘Rússia’, ainda que outros membro da “lava jato”, como a procurador da República LAURA TESSLER, indicassem que a providência era 'divertida”, protocolou a defesa de Lula.

As mensagens, obtidas na Operação Spoofing, deram origem à série de reportagens conhecida como Vaza Jato, publicada pelo site The Intercept Brasil e por parceiros. Os veículos, no entanto, não divulgaram a totalidade do material.
Os diálogos encaminhados ao ministro Ricardo Lewandowski indicam que o procurador Deltan Dallagnol atuou para influenciar na escolha do substituto de Moro.