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Lula vai criar novo imposto IVA? Na verdade, Lula vai cortar dois impostos

Por Revista Fórum   Sábado, 24 de Outubro de 2026

A reforma tributária do governo Lula não cria simplesmente um imposto novo. A mudança substitui cinco tributos sobre o consumo por dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), destinado a estados e municípios. Juntos, eles formarão um modelo chamado IVA dual, que busca simplificar a cobrança de impostos no Brasil.

A mudança foi regulamentada pela Lei Complementar 214, sancionada em 16 de janeiro de 2025. A implementação será gradual, com início dos testes em 2026, cobrança efetiva da CBS em 2027 e conclusão da transição prevista para 2033.

Os cinco tributos que serão substituídos são PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Os três primeiros são federais, o ICMS é estadual e o ISS é municipal. Com o novo sistema, os impostos serão cobrados sobre o valor agregado em cada etapa da produção e da comercialização, permitindo descontar valores pagos anteriormente e reduzindo a cobrança de imposto sobre imposto.

Em 2026, empresas testarão o novo modelo e informarão os valores de CBS e IBS nas notas fiscais, sem recolhimento efetivo desses tributos. A cobrança da CBS começa em 2027, enquanto o IBS terá alíquotas reduzidas nos primeiros anos e será implementado gradualmente até 2033.

A alíquota total dos dois tributos poderá ficar próxima de 28%, segundo estimativas citadas no debate sobre a reforma. O percentual definitivo dependerá das regras de cálculo e das exceções previstas na legislação.

Um dos objetivos da mudança é acabar com a chamada guerra fiscal, em que estados oferecem benefícios tributários para atrair empresas. Com a reforma, a cobrança será transferida gradualmente para o local de consumo dos bens e serviços, em vez de se concentrar na origem da produção.

A lei também prevê medidas sociais, como a isenção de impostos para produtos da cesta básica nacional e a devolução de parte dos tributos, por meio do cashback, para famílias de baixa renda.

Defensores da reforma afirmam que a simplificação pode reduzir a burocracia, combater a sonegação e melhorar o ambiente de negócios. Os efeitos sobre a carga tributária e a economia, porém, dependerão da implementação das novas regras e do funcionamento do sistema ao longo da transição.

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