Cinco motivos que ajudam a explicar a eliminação do Flamengo na Libertadores
Por Globo Esporte Sexta-Feira, 23 de Outubro de 2026
"Em 180 minutos, o Flamengo teve poucas chances de gol". A frase é de Alexander "Cacique" Medina, técnico do Estudiantes após calar um Maracanã com 72 mil pessoas na última quinta-feira ao eliminar o atual campeão e favorito ao título. O que explica a queda de um time superior tecnicamente aos argentinos e que deixa a Libertadores de forma invicta após perder nos pênaltis depois de um 0 a 0 no tempo normal (veja os melhores momentos no vídeo acima)? O ge listou cinco motivos que ajudam a entender o desfecho do confronto da semifinal.
Postura nos dois jogos
Medina não exagerou na sua fala. Na Argentina, o Flamengo não teve nenhuma chance de gol, e no Maracanã foram só duas oportunidades enquanto estavam 11 contra 11: uma com Royal, em finalização bloqueada na pequena área aos 23 minutos, e outra em chute cruzado de Pedro para fora, cara a cara com Muslera, aos 32.
Prioridade dividida
Não que isso seja um erro, mas é um fato. Enquanto o Estudiantes poupou o time inteiro no domingo e perdeu em casa por 2 a 1 para o San Lorenzo no Campeonato Argentino, no mesmo dia o Flamengo entrou com força máxima e venceu o Bahia por 3 a 0 na Fonte Nova. Fisicamente os argentinos estiveram mais inteiros no Maracanã, e mesmo com um jogador a menos não sentiram o cansaço, enquanto os rubro-negros estavam em uma rotação abaixo do habitual.
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Plata, Paquetá e Pedro no Bahia x Flamengo — Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Porém, para priorizar a Libertadores, o Estudiantes perdeu para um concorrente direto e se complicou na liga local: está cinco pontos atrás do Independiente, que ocupa a oitava e última posição da zona de classificação do Grupo A para o mata-mata, restando três rodadas. Já a vitória do Flamengo sobre o Bahia manteve o clube na liderança do Brasileirão com um ponto à frente do Palmeiras, faltando sete jogos para o fim.
Mudança na escalação
Por falar nesse duelo com o Bahia, o Flamengo teve grande atuação na Fonte Nova com uma escalação que teve Carrascal como armador e Plata de ponta-direita. Mas contra o Estudiantes, Leonardo Jardim optou por voltar a escalar Paquetá na vaga do Arrascaeta. O camisa 11 não foi bem no primeiro tempo e cresceu de produção na etapa final após a saída de Pulgar, passando a vir mais de trás.
Substituições
O Estudiantes teve Rodríguez expulso aos quatro minutos do segundo tempo. A primeira substituição do Flamengo foi Arrascaeta aos 18. Depois, Jardim colocou Bruno Henrique, Plata e Ayrton Lucas só aos 35. O time só criou suas duas chances da etapa final após esse movimento. E o técnico usou sua última alteração para pôr Freitas aos 42.
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Leonardo Jardim em Flamengo x Estudiantes — Foto: André Durão
Além do tempo tardio, Jardim também não foi feliz nas escolhas. Ao colocar Arrascaeta 14 minutos depois de ficar com um jogador a mais, já era nítido que o Estudiantes se retrancou após a expulsão. O técnico, ao invés de tirar alguém da defesa, sacou Carrascal. Ele só foi abrir mão de um volante ao tirar Pulgar aos 35.
Emocional nos pênaltis
Arrascaeta e Léo Pereira foram os únicos a converterem as cobranças do lado rubro-negro. Jardim fez certo ao colocar os seus melhores cobradores logo de cara, para não correr o risco de ser eliminado sem algum deles bater. Mas quando Jorginho, considerado um dos melhores do mundo no fundamento, perdeu, foi um baque e tanto para todos. Rossi imediatamente levou as mãos à cabeça. Paquetá e Bruno Henrique bateram mal depois.
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Jorginho perde primeiro pênalti pelo Flamengo — Foto: Reprodução / ESPN
E chama a atenção o pênalti de Jorginho. Seu estilo de cobrança é de dar um pulinho olhando para o goleiro, para quando ele der sinal de que lado vai pular, o volante bate no outro. Porém, num misto de cansaço e nervosismo, o camisa 21 não reparou que Muslera virou o corpo para a direita (veja na imagem acima) e chutou na mesma direção, em vez de deslocá-lo.