O Brasil, por outro lado, era muito perigoso nas saídas em velocidade. Apenas nos 45 minutos iniciais, Vini Jr, duas vezes, Rodrygo e Raphinha desperdiçaram grandes chances, além de Lucas Paquetá acertar a trave. O meia do West Ham foi fundamental para a boa atuação da Seleção, fosse com ou sem bola.
Análise: Brasil dá argumentos para ser elogiado em vitória
Por Globo Esporte Domingo, 24 de Março de 2024
"Não podemos perder o principal, que é apenas início de trabalho. Não pode ser um balizador desse momento"
A forma como Dorival Júnior abordou a vitória sobre a Inglaterra indica serenidade e pés no chão. Natural para quem sabe a pressão que o cargo exige e a velocidade com que o futebol circula entre o céu e o inferno. A estreia no comando da Seleção, no entanto, foi surpreendente e empolgante. E é esse recorte que precisa ser analisado e valorizado.
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Dorival Júnior e Endrick: protagonistas da vitória do Brasil em Wembley — Foto: Pedro Martins / Foto FC
Se as críticas em gestões anteriores eram pela falta de parâmetro com amistosos longe da Europa, o Brasil de Dorival subiu o sarrafo. A estreia contra a terceira colocada no ranking da Fifa, em um dos estádios mais tradicionais do mundo e com o fardo de três derrotas consecutivas e quatro partidas sem vitórias nas eliminatórias representava um desafio que a Seleção superou de maneira convincente.
Organizado defensivamente e objetivo nas ações com a bola, a equipe demonstrou organização desde o minuto inicial em Londres. Sem gastar energia para subir a pressão, o Brasil marcava a partir do meio de campo com duas linhas de quatro bem definidas, enquanto Rodrygo e Vini davam o primeiro combate.
Inglaterra x Brasil
- Posse de bola: 53% x 47%
- Finalizações: 14 x 14
- Finalizações no gol: 3 x 5
- Passes trocados: 494 x 457
- Faltas cometidas: 11 x 19
A Inglaterra não encontrava espaços e se via obrigada a circular bola em busca do jogo pelas laterais. Ações que a Seleção controlava nem que precisasse apelar para faltar (foram 12 só no primeiro tempo). Com exceção de uma finalização de Watkins atrapalhada por Fabrício Bruno, os ingleses pouco fizeram dentro da área brasileira e acabaram abusando de chutes de média distância sem muito perigo.
Intenso na marcação, ele correu até riscos depois de tomar o primeiro amarelo, mas ajudava para que João Gomes e Bruno Guimarães não ficassem expostos. Com a bola, deu uma aula de futebol moderno com passes rápidos e verticais que deixaram os companheiros em condição favorável diante da defesa inglesa, que foi para o intervalo no lucro pelo 0 a 0.
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Dorival e Endrick Brasil Inglaterra — Foto: Reuters/Peter Cziborra
Na volta para o segundo tempo, Vini e Rodrygo passaram a ajudar ainda mais na recomposição diante da tentativa de pressão da Inglaterra. Deu certo para fechar espaços, mas o Brasil diminuiu o escape em velocidade. As melhores ações vinham da dupla Bruno Guimarães - Paquetá, com entrosamento evidente desde os tempos de Lyon.
Dorival, por outro lado, precisava observar peças e trocou Paquetá e Rodrygo por Andreas Pereira e Endrick. A organização da Seleção prevaleceu para um jogo controlado, mas agora com mais fôlego. Não à toa, a dupla teve papel decisivo na vitória.
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Lucas Paquetá x Maguire em Brasil x Inglaterra no Wembley — Foto: Getty Images
Andreas foi quem ficou com bola interceptada no meio de campo e ligou Vini com a mesma rapidez que Paquetá vinha apresentando. O atacante do Real parou em Pickford e a bola sobrou para Endrick empurrar para o gol vazio.
Em vantagem, o Brasil baixou mais as linhas para apostar em contragolpes e não oferecer espaços. Estratégia que deu certo. Por mais que rondasse a área de Bento, a Inglaterra incomodava pouco além de bolas de um lado para o outro e foram os brasileiros que chegaram mais perto do segundo gol após novo passe de Andreas para finalização de Endrick.
Elemento de sobra para apontar uma vitória merecida e convincente. Por mais que Dorival faça questão de fincar os pés no chão.