Análise: Flamengo se impõe contra maior rival atual e prova estar em outro patamar no continente
Por Globo Esporte Domingo, 30 de Novembro de 2025
O ditado diz que final não se joga, se ganha. O Flamengo jogou e ganhou. Não foi avassalador, mas foi inteligente e superior ao Palmeiras. Controlou o time que se tornou seu maior rival no continente sul-americano nos últimos anos. Não sofreu para conseguir a redenção da derrota de 2021, com gol de Danilo na mesma trave em que Gabigol fez história em 2019, também em Lima.
O Flamengo chegou à final da Libertadores passando por confrontos difíceis desde a fase de grupos. Com exceção dos jogos contra o Inter, nas oitavas de final, o time de Filipe Luís sempre sofreu. Fez partidas duríssimas contra Estudiantes (quartas) e Racing (semifinal). Pela rivalidade recente que se criou contra o Palmeiras, com disputas constantes pelos principais títulos da temporada, esperava-se também um duelo difícil na final no Estádio Monumental.
Mas o Flamengo não correu ricos. Ocupou o campo ofensivo nos primeiros 20 minutos, com liberdade para circular e criar. Empurrou seus três atacantes em cima dos três zagueiros palmeirenses. O Fla criou contextos ofensivos, mas falhou no momento de concluir. Bruno Henrique, Arrascaeta e Lino tiveram oportunidades.
O Palmeiras equilibrou o jogo quando subiu o bloco e apertou a marcação, impondo dificuldades ao time rubro-negro, que foi para o intervalo com seus dois volantes pendurados e, por pouco, sem Pulgar, que correu risco de ser expulso após solada em Bruno Fuchs. O primeiro tempo terminou com um jogo mais brigado do que jogado, mas com os paulistas bem longe do gol do Flamengo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2025/M/0/ByJJ2VS5uJwOgdYng28g/2025-11-30t000421z-868319830-up1elbu00780a-rtrmadp-3-soccer-libertadores-pal-fla.jpg)
Flamengo é campeão da Libertadores 2025 — Foto: REUTERS/Sebastian Castaneda
O Fla voltou melhor para o segundo tempo. Quase que a história foi feita com roteiro de filmaço: aos 6, Bruno Henrique encontrou Arrascaeta na área, e o camisa 10 teve finalização desviada para fora. Não foi da dupla agora tricampeã da Libertadores pelo Flamengo o protagonismo no 16º título pelo clube. Mas passou pelos pés do uruguaio o gol do tetracampeonato da América.
Quis o destino que o herói fosse um jogador que chegou nesta temporada. Que já havia sido campeão da Libertadores e feito gol na final (Santos, em 2011). Que foi bicampeão da Champions League. Mas que pela primeira temporada na carreira vitoriosa veste a camisa do seu time do coração. Aos 22 minutos do segundo tempo, Arrascaeta bateu escanteio, e Danilo subiu para cabecear no canto direito de Carlos Miguel. A bola tocou o fundo das redes na mesma trave em que Gabigol marcou duas vezes em 2019, quando o Flamengo foi campeão da Libertadores em cima do River Plate.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2025/M/B/bNAD0ySZyPncVdLrrGgA/gettyimages-2249093239.jpg)
Danilo foi herói do Flamengo na final da Libertadores 2025 — Foto: getty
O Palmeiras até tentou pressionar na reta final, mas Filipe Luís tinha uma estratégia. O plano tático do técnico foi seguido à risca pelos jogadores. A verdade é que o que menos importa para o torcedor é como o Flamengo conquistou o título. A conquista basta por si só. Finais geralmente são feitas de jogos truncados e tensos.
O que importa é que não houve espaço para repetir 2021. O fantasma não assustou. Foi exorcizado. O Fla é dono da América em cima do seu maior rival no continente.
O time fez história e se tornou o primeiro brasileiro a ser tetracampeão da Libertadores. Um título de Filipe Luís, Arrascaeta, Bruno Henrique e Danilo, mas de muito mais gente. De uma nação que ocupou Lima nos últimos dias, que atravessou céus, estradas, rios e oceanos e voltou a sorrir no lugar onde havia sido mais feliz no passado recente.
Local onde o Flamengo começou a escrever uma história de supremacia na América do Sul e que o dará, pela terceira vez em seis anos, mais uma chance de conquistar o mundo de novo.