Botafogo admite não ter dinheiro para salários e tenta evitar saídas de jogadores
Por BAND Sábado, 25 de Abril de 2026
O cenário nos bastidores Botafogo está a cada dia mais agitado. Em documento enviado à Justiça do Rio de Janeiro para solicitar Recuperação Judicial, a SAF do Botafogo admitiu não possuir recursos para pagar os salários do elenco profissional no próximo mês. A medida extrema busca blindar o clube contra uma possível rescisão em massa de seus principais astros.
Com uma dívida acumulada de R$ 2,6 bilhões, o Alvinegro vive uma asfixia financeira que coloca em risco a continuidade do projeto esportivo iniciado em 2022.
Plano para impedir a saída de atletas
A legislação esportiva permite que jogadores rescindam contrato unilateralmente caso o clube atrase salários, direitos de imagem ou FGTS por dois meses ou mais. Para evitar esse “desmanche”, os advogados do Botafogo fizeram um pedido inédito ao Judiciário:
Bloqueio de rescisões: O clube solicita que atletas e fornecedores essenciais sejam impedidos de romper contratos devido a dívidas anteriores ao processo.
Argumento legal: A SAF alega que, ao entrar em Recuperação Judicial, fica legalmente impedida de pagar dívidas passadas, o que tecnicamente interromperia os efeitos da mora salarial.
Barboza na mira do Palmeiras
A falta de liquidez já afeta o planejamento para o segundo semestre de 2026. O zagueiro Alexander Barboza, um dos pilares da defesa, desperta forte interesse do Palmeiras.
Sem dinheiro para oferecer uma renovação competitiva e diante do risco de perdê-lo de graça ao fim do ano, o Botafogo cogita vender o defensor já na janela de julho para garantir alguma compensação financeira.
Para onde foi o dinheiro?
O Botafogo aponta os culpados pela crise: a gestão da Eagle Football. O clube afirma que, sob o sistema de “caixa único” (cash pooling) de John Textor, a SAF enviou cerca de 146 milhões de euros (mais de R$ 800 milhões) para o Lyon e outros clubes do grupo entre 2024 e 2025.
No entanto, após o afastamento de Textor e a entrada da credora Ares Management no controle do grupo, esses recursos não retornaram.
A SAF acusa os novos gestores de priorizarem a capitalização do clube francês e negligenciarem a sustentabilidade do Botafogo no Brasil.