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Finanças, planejamento e postura: os recados de Leila Pereira no Palmeiras

Por Globo Esporte   Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2023

Leila Pereira convocou uma entrevista coletiva para desabafar, detalhar o trabalhando que vem sendo feito na sua gestão e defender cada tomada de decisão desde que assumiu a presidência do Palmeiras, em janeiro de 2022.

Deixando de lado uma postura mais próxima de uma executiva à frente de uma grande empresa, Leila incorporou o personagem de um dirigente folclórico do futebol brasileiro, com declarações fortes e polêmicas que vão além do seu clube.

Abaixo, o ge mostra os principais pontos que podem ser encarados como recados da atual presidente do Palmeiras, que afirmou ser candidata à reeleição e que pode abrir mão de ser, além de dirigente, a principal patrocinadora do clube.

 

Ruptura com torcida organizada

 

Leila Pereira não escondeu que a sua principal irritação neste momento no comando do Palmeiras é a sequência de manifestações de torcedores. Ela e a Mancha Alviverde romperam relações no ano passado. Uma das empresas da presidente patrocinava o carnaval da torcida organizada e também ajudava a custear viagens para jogos, o que acabou parando após o rompimento entre eles.

Depois dos seguidos protestos de torcedores contra a sua gestão, ela deixou claro que não irá ceder a qualquer tipo de pressão externa enquanto estiver na presidência do Palmeiras.

– Não é tocando tambor e jogando bomba que vou contratar jogadores. Esses atos de vandalismo contra uma patrocinadora que só colaborou com o Palmeiras. Na pandemia, enquanto a maioria dos patrocinadores cortaram os patrocínios, a Crefisa e a FAM em nenhum momento suspendeu os pagamentos para o Palmeiras. Por isso que o Palmeiras conseguiu manter o emprego dos nossos trabalhadores intacto.

 

– Essas torcidas organizadas não construíram nada. Eles são caso de polícia. Essas pessoas são o grande câncer do futebol brasileiro – disse Leila.

 

Faixa em protesto contra Leila Pereira, na porta do Palmeiras — Foto: Emilio Botta

Faixa em protesto contra Leila Pereira, na porta do Palmeiras — Foto: Emilio Botta

– Eu respeito profundamente nossos 20 milhões de torcedores que não são só da vitória. O Palmeiras hoje é um clube modelo de administração. Olha o que nós temos aqui, essa Academia de Futebol, vários clubes vêm conhecer, olha essas revelações na base, olha os últimos anos o que nós somos hoje. Acho que isso enche de orgulho a grande maioria dos torcedores. Pode ter certeza de que pressão externa de torcida organizada não vai mudar uma vírgula do que pensamos sobre o nosso Palmeiras – disse Leila.

Antes das pichações nas lojas da Crefisa espalhadas pelo Brasil, torcedores já haviam protestado na sede social palmeirense. O clube registrou um boletim de ocorrência a fim de identificar os responsáveis pelo ato de vandalismo. No domingo, a Mancha Alviverde se manifestou antes, durante e depois do clássico contra o Santos.

 

Finanças: "É tudo às minhas custas"

 

A presidente do Palmeiras demonstrou incômodo com as críticas que recebe em torno de um possível conflito de interesses por também ser a principal patrocinadora do clube. A compra de um avião para uso - também - do clube e a possibilidade de assumir a gestão da Arena Barueri potencializaram o discurso da ala que defende a tese que presidente usa o Verdão para promover suas empresas.

– Eu não uso nada do Palmeiras. O Palmeiras nunca pagou camarote para mim, nunca pagou nada para mim. É tudo às minhas custas. Não há questão de conflito de interesse. Elas (pessoas da oposição) querem destruir a nossa gestão e eu não vou deixar – disse.

Leila ressaltou que investiu mais de R$ 1 bilhão no Palmeiras desde que decidiu patrocinar o clube, ainda na temporada 2015. Desde então, afirmou que nenhuma outra empresa no Brasil se interessou em estampar a sua marca na camisa do clube. E chamou de ingratos os que criticam o fato de ser presidente e patrocinadora ao mesmo tempo.

– Quando a Crefisa e a FAM chegaram no Palmeiras, em 2015, um ano anterior o Palmeiras estava quase rebaixado. Ninguém nos procurou, nós espontaneamente viemos oferecer. A Crefisa e a FAM já colocaram no Palmeiras ao longo desse tempo cerca de R$ 1 bilhão e R$ 200 milhões.

Leila Pereira em coletiva no Palmeiras — Foto: Emilio Botta

Leila Pereira em coletiva no Palmeiras — Foto: Emilio Botta

A presidente do Palmeiras prometeu investir em reforços pontuais para a próxima temporada, além de tentar a renovação do contrato de Abel Ferreira, válido até o fim de 2024. Ela também bancou a permanência de Anderson Barros, diretor de futebol que é alvo de críticas dos torcedores.

Apesar disso, não garantiu que irá seguir como patrocinadora do Palmeiras a partir de 2025. Se reeleita, o clube vai abrir concorrência para empresas interessadas em estampar a marca na camisa alviverde.

 

Sai a empresária, entra a dirigente

 

Leila Pereira sempre teve postura polida e agiu como uma empresária no comando de um time de futebol, fugindo das características de um dirigente. No entanto, a entrevista coletiva mostrou uma nova versão da presidente: frases polêmicas - como a utilização do avião que comprou para uso do clube -, postura forte e um tom mais inflamado sobre os assuntos mais polêmicos.

 

– Se eu deixar esse avião parado quando o Palmeiras não joga, sabe o que acontece? Nada. Eu posso pegar o avião e chamar vocês para passear .

 

Além das declarações sobre os temas destacados acima, Leila cutucou adversários quando disse não querer no Palmeiras "jogadores aposentados em atividade", além de duvidar do valor que o rival receberia de patrocínio anualmente.

– Tem que ser responsável, tem que ter a certeza de que vale. Prove que (por) essa camisa do Corinthians estão pagando R$ 123 milhões. Mostrem o papel, que eu pago R$ 123 milhões. Quero que comprove que essas empresas pagam R$ 123 milhões por ano.

– Eu tenho muita restrição para jogadores que estão se aposentando e querem se aposentar no Palmeiras. Não é nossa mentalidade, não quero. Não quero uma performance de um ano, eu quero continuidade – disse Leila.

Leila Pereira em entrevista no Palmeiras — Foto: Emilio Botta

Leila Pereira em entrevista no Palmeiras — Foto: Emilio Botta

Outro momento em que Leila demonstrou ter incorporado o personagem de dirigente foi quando questionou a real intenção da oposição dentro do clube em criticar a sua gestão.

– Não é oposição. Eles são da destruição. Não sou uma pessoa vingativa de forma nenhuma. Não sou palhaça. Esses ingressos para conselheiros são uma liberalidade para presidente, oferece para quem quer, e para essas pessoas que querem destruir nossa gestão, não é que não tem ingresso, é que eles não têm nada – citou, ao comentar sobre o fato de ter tirado o direito de ingresso gratuito de conselheiros que questionaram alguns pontos da administração do clube, como a relação com a Placar Linhas Aéreas, que também é de propriedade de Leila.

Leila Pereira assumiu a presidência do Palmeiras em janeiro de 2022. Desde então, o clube conquistou cinco títulos: Recopa Sul-Americana (2022); Campeonato Paulista (2022 e 2023); Campeonato Brasileiro (2022), além da Supercopa do Brasil (2023).

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