Jardim diz que não existem projetos a longo prazo no Flamengo: 'Vive de vitórias'
Por Globo Esporte Sábado, 30 de Maio de 2026
Para os portugueses mais atentos ou curiosos ao futebol brasileiro desde 2019, quando Jorge Jesus abriu as portas do país para seus compatriotas, deve ser difícil entender os extremos opostos em que estão os clubes mais ganhadores dos últimos anos, Flamengo e Palmeiras, no quesito treinador.
Enquanto o Palmeiras está sob comando do português Abel Ferreira desde 2020, o Flamengo depois de Jesus já está com seu décimo técnico diferente, o também português Leonardo Jardim. Antes dele vieram Domènec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho, Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli, Tite e Filipe Luís. Em entrevista publicada nesta semana no jornal "A Bola", do país natal, o atual treinador opinou sobre a "não existência de projetos a longo prazo", em sua visão:
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Leonardo Jardim x Athletico-PR x Flamengo — Foto: Robson Mafra/AGIF
— É um clube intenso, que toda a gente sabe sua dimensão em termos de Brasil, sul-americano e mundial. Clube que vive de vitórias, por isso não existem projetos a longo prazo, os projetos são imediatos. Isso que tentamos desde o início, mostrar rapidamente nosso trabalho e competência. De forma a jogar todos os jogos para vencer e também um futebol agradável para os torcedores do Flamengo, que são exigentes e gostam de uma equipe dominante e enérgica. Tentamos planejar um conteúdo que permite dar essa satisfação aos torcedores. E os resultados, que são fundamentais.
Em 21 jogos no Flamengo, Jardim soma 13 vitórias, cinco empates e três derrotas, um aproveitamento de 69,8%. A entrevista, realizada no Ninho do Urubu, foi feita na semana passada, depois da vitória sobre o Estudiantes (Argentina) na Libertadores e antes da derrota para o Palmeiras no final de semana. O técnico reconheceu que "muitas vezes expõe" o seu time para tentar criar mais chances de gol e criticou as equipes que jogam na retranca.
— Eu muitas vezes exponho (o time) para criar mais, sofro alguns ataques dos adversários, mas faz parte do futebol. Sou muito contra equipes todas atrás da linha da bola, que não atacam, estão à procura de uma bola parada para resolver o jogo. Minhas equipes nunca jogaram assim, mesmo aquelas quando comecei minha carreira. Camacha era para jogar na frente; o Chaves para subir de divisão; o Beira-Mar para subir de divisão; o Braga para jogar por pódio...
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Leonardo Jardim foi capa do jornal "A Bola" em Portugal — Foto: Reprodução / A Bola
Perguntado sobre voltar a trabalhar em Portugal, Jardim disse que só tem uma única condição para isso:
— Não vou voltar a Portugal para ser treinador de uma equipe. Única abertura de voltar a Portugal é para ser treinador da seleção, se houver um dia essa possibilidade. Mas não faço disso um fardo nas costas.