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Erro zero e mais: entenda a mudança no perfil de contratações do Flamengo

Por Globo Esporte   Segunda-Feira, 30 de Março de 2026

Flamengo fechou a janela de transferências com as contratações de reforços tidos como prioridade, mas ainda sem um centroavante. A escolha por não trazer um concorrente para Pedro passa por um perfil definido na busca por novos nomes. Um modelo que seguirá regendo a diretoria no meio do ano. O plano é ter erro zero e afastar apostas neste momento.

 

Não foi por falta de tentativa por parte do Flamengo. O clube fez propostas por Kaio Jorge e iniciou conversas com nomes como Taty Castellanos e Richarlison, que não quiseram vir ao Brasil. A estratégia foi mirar nomes mais óbvios no mercado por entender que atletas consolidados tinham mais chance de dar certo em um elenco qualificado e de alto valor.

 

- O Flamengo não contrata um jogador, contrata o jogador - disse Bap.

O investimento limitado após a chegada de Lucas Paquetá contribuiu para que o Flamengo não conseguisse seguir com esse tipo de contratação. O foco agora será na segunda janela, que ficará aberta entre 20 de julho a 11 de setembro. O clube já sabe que precisa buscar um centroavante e talvez um ponta a depender da movimentação do mercado. Além de, claro, repor outras eventuais saídas.

Esse perfil mudou depois de problemas no ano passado. Em 2025, José Boto esteve na corda bamba em alguns momentos, inclusive na quase contratação de Mikey Johnston, vetada por Bap. A aposta em Juninho no início do ano acabou sendo contestada também. Por isso, o futebol alterou a maneira como busca atletas no mercado.

 

Paquetá comemora gol do Flamengo contra o Corinthians — Foto: Marcos Ribolli

Paquetá comemora gol do Flamengo contra o Corinthians — Foto: Marcos Ribolli

O dirigente português chegou ao clube sendo tratado como especialista em scouting e prometeu reestruturar o setor para diversificar a forma como o Flamengo agia no mercado. Foi com esse pensamento que o departamento de futebol iniciou as janelas do início e do meio do ano. Diante das polêmicas, da maior capacidade de investimento e da pressão de cima, essa ideia foi se alterando ao longo do tempo, com reforços mais badalados e de alto valor. Na primeira janela de Bap, o gasto foi de R$ 30 milhões, enquanto na última passou de R$ 330 milhões.

Em entrevista ao ge em fevereiro, Boto explicou a mudança. O departamento de scout atualmente é visto como mais importante para identificar atletas para as categorias de base (que também vivem uma reformulação neste sentido) do que no time principal.

— Quando eu cheguei, havia uma realidade financeira que obrigaria a um tipo de contratação que passaria muito pelo scouting. Com toda a reestruturação financeira feita pelo presidente, isso nos permite fazer janelas agressivas em que não precisamos tanto do scouting, ninguém precisa do scouting para trazer o Lucas Paquetá, então o clube mudou um pouco o patamar. Não quer dizer que não venha (jogador menos visado). O Andrew não é propriamente um jogador super conhecido. O Vitão já é, mas é um jogador que eu já conhecia há muitos anos - disse o diretor na época.

As prioridades do Flamengo nesta temporada foram atacar de maneira certeira o mercado para suprir as carências e também diminuir a média de idade da equipe pensando a longo prazo. A montagem do elenco passou por ter 22 jogadores que pudessem ser considerados titulares, sendo dois para cada posição. No caso da posição de centroavante isso não aconteceu, mas Wallace Yan acabou permanecendo e pode retomar o espaço.

— Nenhum clube no Brasil ou na América do Sul fez as contratações, em quantidade e em qualidade, que nós fizemos nos últimos nove meses. A gente fez um esforço para trazer jogadores mais jovens, com baixíssimo histórico de contusão e que agregassem ao elenco. O Flamengo não contrata um jogador, contrata o jogador. Quando você tem um alvo definido, o produto fica mais caro, porque o mercado começa a entender que você opera dessa forma. A gente tem estudado para errar pouco no perfil que a gente traz porque aprendemos com os erros. Muitas vezes esse jogador não está disponível no mercado na hora que você quer - disse Bap à FlamengoTV.

— Não é que fizemos uma janela medíocre. Tem que ter dinheiro e saber exatamente o que quer. Quantos grandes centroavantes existem no mundo disponível para a gente contratar? O centroavante que queremos é de 32 para 40 milhões de euros, isso para ser reserva do Pedro. É gestão de elenco. A gente não contrata mais uma peça isolada - completou.

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