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Quem fica com o dinheiro nos negócios entre Botafogo e Zenit?

Por Globo Esporte   Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2025

Na segunda-feira, o Zenit anunciou em suas redes sociais três negociações com o Botafogo de uma só vez: Luiz Henrique se transferiu para o clube russo, e Artur e Wendel estão acertados com o Glorioso - o volante só vai mudar de equipe em junho.

O anúncio conjunto das três transações despertou dúvidas nos torcedores. Qual quantia será movimentada concretamente entre os dois clubes? Quem ficará com o dinheiro da venda de Luiz Henrique? O ge explica.

 

Zenit oficializa contratação de Luiz Henrique e vendas de Artur e Wendel — Foto: Zenit

Zenit oficializa contratação de Luiz Henrique e vendas de Artur e Wendel — Foto: Zenit

A proposta do Zenit por Luiz Henrique foi de 35 milhões de euros, enquanto o Botafogo ofereceu 20 milhões de euros por Wendel e 10 milhões de euros por Artur. A matemática simples indica que o Botafogo receberia 5 milhões de euros pelo conjunto das três negociações, porém, não é esse o caso.

As três vendas são parceladas, mas em condições diferentes. O Botafogo conseguiu aumentar o valor à vista pago pelo Zenit por Luiz Henrique, por exemplo. Já as compras de Wendel e Artur terão uma quantia menor desembolsada imediatamente e mais parcelas nos próximos semestres.

Os russos até tinham oferecido, em um primeiro momento, um negócio com o Botafogo colocando Artur e Wendel como moeda de troca. O Alvinegro se interessou pelos jogadores, mas não pelo modelo, afinal, a Eagle Football, empresa multi-clubes de Jhon Textor, dono da SAF alvinegra, precisava levantar dinheiro a curto prazo.

 

Para onde vai o dinheiro?

 

O aumento do valor à vista pago pelo Zenit era uma exigência de Textor para fechar as negociações. O empresário americano tem pressa para cobrir o rombo nas finanças do Lyon, outro clube da Eagle.

Textor trabalha com um sistema de caixa único, com todos os clubes que fazem parte da Eagle: Crystal Palace (do qual é minoritário), Molenbeek e FC Florida (Estados Unidos) são os outros. Ou seja: quaisquer valores de transações envolvendo as equipes do grupo ficam à disposição de outros times.

A estratégia ficou explícita em entrevista coletiva que Textor concedeu na França no dia 16 de novembro, logo depois da punição recebida pelo Lyon, que está proibido de contratar jogadores e será rebaixado ao fim da temporada europeia se não melhorar suas finanças. Naquela ocasião, o empresário assegurou que a venda de atletas do Botafogo em janeiro reforçaria o caixa do Lyon, sendo uma das formas de evitar a queda.

- Pela nossa relação de jogadores, todo o dinheiro fica em uma mesma conta e todos os clubes tomam conta. Como você lida economicamente com um jogador compartilhado? Uma das razões pelas quais adotamos o caixa único é que, se você contratar um jogador para o Brasil dizendo que no futuro ele pode ir para o Lyon, o Lyon não deveria ter o benefício do valor agregado a esse jogador ao longo do tempo?

É comum haver transações entre os clubes da Eagle. O último exemplo foi Thiago Almada, oficialmente emprestado pelo Botafogo ao Lyon até junho de 2025. A liga francesa permitiu a inscrição do argentino mesmo com o transfer ban imposto ao time de Textor, o que causou uma queixa do Toulouse.

Com as mudanças constantes de atletas dentro do grupo, o empresário americano decidiu adotar a estratégia do caixa único. Em 2024, por exemplo, Textor usou parte dos recursos do Lyon para contratar Almada e Luiz Henrique para o Botafogo.

- O dinheiro de competições (premiação) provavelmente ficará para o Botafogo. Pela nossa relação de jogadores, todo o dinheiro fica em uma mesma conta e todos os clubes tomam conta - explicou Textor em coletiva no Lyon em 18 de novembro, antes do Alvinegro conquistar os títulos da Conmebol Libertadores e Brasileirão.

Agora, boa parte do dinheiro da venda de Luiz Henrique para o Zenit será encaminhado para o Lyon, que precisa levantar pelo menos 100 milhões de euros até o fim da temporada, em maio.

 

Luiz Henrique beija a taça da Libertadores conquistada pelo Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Luiz Henrique beija a taça da Libertadores conquistada pelo Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

A estratégia foi colocada em prática por Textor mesmo sem certeza de sucesso. Órgão que puniu o Lyon, a DNCG (Direção Nacional de Controle e Gestão) não aceitou na reunião de novembro os argumentos referentes ao caixa único. Para os auditores, todos os valores que o Lyon mostrar para cobrir o rombo devem estar necessariamente no balanço do clube.

No momento da contratação de Luiz Henrique pelo Botafogo, em 1 de fevereiro de 2024, não havia menção a direitos federativos presos ao Lyon. O Glorioso anunciou na ocasião que o jogador havia assinado contrato com o clube até 31 de dezembro de 2028. Ainda assim, Textor acredita ser capaz de convencer a DNCG de que as finanças do Lyon envolvem necessariamente todos os outros clubes da Eagle para, assim, retirar o transfer ban e evitar o rebaixamento.

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