Abel Ferreira é punido pelo STJD com 2 jogos de suspensão por chutar microfone
Por Globo Esporte Sexta-Feira, 4 de Setembro de 2026
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva votou nesta sexta-feira pela punição ao técnico Abel Ferreira com duas partidas de suspensão por chutar um microfone na beira do campo durante o empate entre Palmeiras e Mirassol, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Ele desfalca a equipe, portanto, nos confrontos com Botafogo e São Paulo, pelas próximas rodadas da Série A, nos dias 6 e 12 de setembro.
O árbitro João Vitor Gobi, o quarto árbitro Roger Goulart e o VAR Ilbert Estevam da Silva, denunciados por omissão de penalização a Abel, foram absolvidos por inépcia da denúncia, termo utilizado para descrever processos que apresentam falhas e não podem produzir efeitos legais.
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Abel Ferreira em Mirassol x Palmeiras — Foto: Cesar Greco/Palmeiras
O que o STJD decidiu sobre os árbitros
A defesa da arbitragem, feita pelo advogado Eduardo Vargas, diz que eles não viram a cena, e os membros do STJD citaram ser uma denúncia com base em hipóteses. Consideram, por isso, uma denúncia inepta e votam pela absolvição dos árbitros.
O julgamento de Abel
Na sequência, o advogado de defesa do Palmeiras, Osvaldo Sestário, pede a permanência do árbitro João Vitor Gobi como testemunha no julgamento de Abel. Ele diz que terá um compromisso no horário do almoço, mas permanece ao saber que seria ouvido de forma imediata, às 11h.
Os auditores fazem duas perguntas: se Gobi viu a cena do chute, ao que o árbitro nega, e onde estava no momento do ocorrido, até que um terceiro integrante pergunta se ele foi comunicado do chute pela equipe de arbitragem. Antes de Gobi responder, o advogado Eduardo Vargas interrompe.
– Talvez a ciência de comunicação poderá intervir em uma futura denúncia e ele não é obrigado a produzir provas contra ele mesmo – afirma.
João Vitor Gobi em seguida é liberado da sessão. Minutos depois, o STJD começa a veicular o vídeo interno do VAR.
A presidente da 3ª Comissão, Adriene Silveira Hassen, responde uma interação inaudível dentro do tribunal, dizendo que a exibição do vídeo precisa ser com o áudio, que precisam ouvir a conversa. Em seguida, encontram o ponto do momento em que há comunicação do VAR ao árbitro João Vitor Gobi sobre o ocorrido.
– O Abel tem que receber amarelo aqui – diz um dos integrantes, não identificado, na comunicação.
– Roger está falando. Abel chutou o microfone para dentro do campo com a bola em jogo – diz outro, em referência ao quarto árbitro do jogo, Roger Goulart.
– Abel chutou com a bola em jogo – repete o áudio, de membro não identificado na sessão.
– Eu assumi a responsabilidade. Eu assumi a responsabilidade – diz uma última pessoa, também não identificada.
O que disse o advogado do Palmeiras
Na sequência da exibição das provas, o advogado Osvaldo Sestário pede o afastamento da denúncia e que se for o caso de punir Abel Ferreira, que o seja com suspensão de um jogo convertido em multa.
– A gente vê que houve uma comunicação entre eles, e o árbitro assume para si a responsabilidade do lance e ele entende que não era passível de punição.
– Abel é um cara sanguíneo. Ele é uma pessoa muito doce, mas um cara sanguíneo dentro de campo. Nunca teve qualquer condenação em relação a honra do árbitro, qualquer termo que levasse ao 243-F.
A votação dos auditores
O auditor George Suetônio Gonet Branco votou pela absolvição, o auditor José Maria Philomeno votou por suspensão de uma partida, e Pedro Gonet Branco, que pediu vistas do processo para refletir, voltou às 12h59 para dar voto pela suspensão, de duas partidas, por reincidência de Abel.
Gonet cita o ofício enviado pela comissão de arbitragem ao STJD, em que diz: "Sobre o item 8 da CBF, por se tratar de incidente que não interferiu no andamento de jogo e não teve relação direta com atleta, o VAR não poderia ter recomendado revisão do lance ao árbitro."
– Ainda que se entenda que a arbitragem tenha visualizado e deliberado não aplicação de sanção, eu acho que não haveria a possibilidade de afastamento completo do Artigo 258 B.
O auditor Rodrigo Buzzi faz o mesmo voto.
O que disse o árbitro João Vitor Gobi, sobre ver o chute ao microfone
– A gente estava entrando em reta final do jogo, estava em contato com comunicação com toda a equipe, a bola estava em situação de ataque e eu de costas para o banco de reservas. O goleiro tem um tempo a ser reposto a bola, então a minha prioridade era aquele momento e o protocolo de finalização da partida. Houve a comunicação de que não haveria checagem naquele momento então foi feita a finalização da partida e o fato não foi presenciado de maneira visível pela minha pessoa.
– Era uma situação de ataque para a equipe do Mirassol que é do lado oposto do campo. Quando há configuração desse aspecto há muitos jogadores na área, então uma infração pode ocorrer, minha preocupação naquele momento eram as infrações que poderiam ocorrer naquele momento.