Com atuação desastrosa, Flu perde a vaga nos pênaltis e é eliminado
Por Globo Esporte Quinta-Feira, 17 de Março de 2022
O período de uma semana, no geral, parece pequeno para grandes mudanças na vida. Quem viu o Fluminense há sete dias jamais poderia imaginar como tudo viraria de cabeça pra baixo de uma maneira tão dramática. O time tinha uma vantagem satisfatória construída no jogo de ida da Libertadores, estava a uma vitória de bater o recorde histórico de 1919 e vivia lua de mel da torcida. Mas isso mudou drasticamente, e a equipe se despediu de seu grande objetivo na temporada antes mesmo de chegar de fato nele.
O Fluminense entrou em campo para encarar o Olimpia com a clara proposta de jogar recuado e explorar contra-ataques. É bem verdade que o Flu teve um gol de David Braz anulado logo aos sete minutos, em lance questionável e que poderia ter mudado completamente o enredo da partida. Mas não podemos esquecer que a equipe teve 90 minutos para fazer mais, e não o fez. O que aconteceu, na maior parte do tempo, foi o time assistindo aos paraguaios jogarem.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/7/O/c1vnUOQT2pDlrd0prgjA/omhl08b0ugbjnwqoqbmwnu23e49mqi58fasvkas9.jpeg)
Willian lamenta pênalti perdido em Olimpia x Fluminense, pela Libertadores — Foto: Staff images/CONMEBOL
Guiado pela vantagem de dois gols no jogo de ida, o Tricolor se preocupou em se defender. Luiz Henrique e Arias também apareciam para fazer a marcação quando o time não tinha a posse de bola – o que, por sinal, aconteceu na maior parte do tempo.
Ainda na primeira etapa, o Fluminense teve chances de contra-atacar, mas não conseguiu levar perigo aos paraguaios. A equipe não conseguiu criar jogadas com os laterais, em noite em que Calegari esteve apagado e Cris Silva acertou pouco. Arias e Luiz Henrique até demonstraram alguma vontade de impor velocidade, mas não estavam em seu melhor dia. O fato de a primeira chance do Flu na etapa inicial ter vindo apenas aos 41 minutos, em contra-ataque do colombiano para Cano chutar, é um indício de que o time foi praticamente inofensivo.
Com 10 jogadores no campo de defesa e dificuldades de explorar o contra-ataque, o Flu mostrou que passaria a partida tentando segurar a pressão do Olimpia. E o time aguentou até os 35 do primeiro tempo, quando Silva apareceu nas costas de Cris Silva na área, cabeceou para o meio, e Recalde subiu sozinho para abrir o placar. A sensação é de que tudo poderia ir por água abaixo a qualquer momento, e o cenário foi se desenhando para uma tragédia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/1/W/yEyxBVRSA27xdAQYxCAQ/51943470215-77b8872b9f-c.jpg)
David Braz em Olimpia x Fluminense — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC
Após o intervalo, o time voltou sem alterações e com a mesma mentalidade. O Olimpia colocou 10 homens no campo de ataque e foi pressionando o Flu, que continuou inoperante nos contra-ataques. Assim, o técnico Abel Braga sacou Luiz Henrique e Arias aos 16 da etapa final para as entradas de Willian e Gabriel Teixeira. Quatro minutos depois, Bigode roubou a bola e lançou Biel cara a cara com o goleiro. O jovem jogador perdeu a melhor e mais clara chance do Fluminense na partida, em um daqueles lances que ficam ecoando na cabeça dos torcedores por muito tempo.
Se o jogo de ataque contra defesa e o 1 a 0 no placar pareciam deixar a equipe nervosa, a expulsão de Nino fez o Fluminense se perder de vez em campo. E como todos os resultados traumáticos, o segundo gol do Olimpia veio no final da partida, aos 43 do segundo tempo, dos pés do artilheiro Guillermo Paiva. O time que ainda não tinha sofrido dois gols em uma mesma partida na temporada acabou por levá-los justamente na partida em que não podia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/y/t/kNBkfdTcuvy8BCeqZjSQ/gwu4k2zf5yqdbtmukhciwy969icnu9q26ottonok.jpeg)
Nino é expulso em Olimpia x Fluminense, pela Libertadores — Foto: Staff images/CONMEBOL
- O emocional, por causa do segundo gol, afetou. Conversamos, vamos pros pênaltis, da maneira que treinamos, tranquilo. Eles foram mais felizes. Pelo jogo em si, mereceram, mas aquilo que nos propusemos fazer era o contra-ataque, e eles nos deram, mas nós não soubemos aproveitar - disse Abel na coletiva após a partida.
O resultado no tempo regulamentar castigou uma equipe que vinha se destacando justamente pelo controle emocional. Por cruel ironia do destino, três das contratações que chegaram para agregar por conta de sua experiência na Libertadores acabaram sendo protagonistas na eliminação nos pênaltis: Willian, que tinha entrado bem, e Felipe Melo perderam suas cobranças, e Fábio, com sua fama de pegador de pênaltis, não conseguiu defendê-los contra o Olimpia. O jovem André, cria de Xerém, converteu o pênalti que bateu.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/8/S/fI4BPBT8CtgWh3JmOxtA/eisrdznnycsfvm4n202vmnjcwgx9rmnqlvbxdmxq.jpeg)
Felipe Melo em Olimpia x Fluminense, pela Libertadores — Foto: Staff images/CONMEBOL
Após o jogo, o técnico Abel Braga afirmou que a equipe estava "desolada", porque sabia o que tinha que fazer para evitar que a equipe paraguaia saísse com a vitória.
- No primeiro jogo tivemos uma ideia muito clara de como o Olimpia joga, que era com cruzamentos para a área. Neutralizamos muitas e muitas vezes essas jogadas, mas no final sofremos dois gols provenientes de cruzamentos.
"Sofrer dois gols, como sofremos, é muito complicado de entender."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/b/q/rPq1yMRGOzUsJqVwXh5g/vj9r3orgl1mzyrap8llujho9uorvrmsabfn3mwth.jpeg)
Abel Braga à beira do gramado em Olimpia x Fluminense, pela Libertadores — Foto: Staff images/CONMEBOL
Por mais que a equipe tenha consciência do estilo de jogo do Olimpia, o velho ditado "água mole, pedra dura, tanto bate até que fura" faz com que a derrota do Fluminense não seja tão difícil de entender. O jogo de ataque contra defesa dava indícios de que o resultado se encaminhava para uma tragédia para o Tricolor. E o Olimpia quase se classificou sem a necessidade de pênaltis, o que só não aconteceu porque David Braz salvou já nos acréscimos.
O abatimento para os pênaltis era inevitável, afinal de contas, o time deixou escapar uma classificação encaminhada no final da partida, o que criou uma atmosfera favorável aos paraguaios, que ainda contavam com a apoio de sua inflamada torcida.
A queda na competição aparece para inflamar ainda mais os ânimos dos torcedores, que já estavam insatisfeitos com a venda de Luiz Henrique, sua principal joia no elenco profissional, para o Betis, da Espanha, por um valor que pode chegar até € 13 milhões (R$ 70 milhões).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/5/p/nM1hfBR02E6HrI9LMjdQ/5db0fa7716c77c2546ba5177d3dc8bc24d710981.jpg)
Luiz Henrique e Felipe Melo em Olimpia x Fluminense pela Libertadores — Foto: Nathalia Aguilar/EFE
E a eliminação é uma tragédia para a temporada do Fluminense por diversos motivos, mas os financeiros acabam sendo gritantes agora que os cofres vivem um momento que exige atenção. O clube montou um elenco caro, muito além dos padrões dos últimos anos, apostando todas as fichas em uma campanha mais duradoura na competição, com expectativa, inclusive, de chegar às fases mais decisivas.
Além disso, Fluminense "perdeu" R$ 10 milhões com a saída da Libertadores para a Sul-Americana. O clube vai ganhar três vezes menos no segundo torneio do continente do que ganharia na fase de grupos, e o valor não alivia a delicada situação financeira do clube. A premiação da fase de grupos da Sula não paga sequer uma folha salarial do futebol tricolor, que em 2022 está em torno de R$ 6 milhões.
O roteiro era difícil de se imaginar há uma semana, mas pareceu o mais óbvio ao longo do jogo de volta na última quarta. Em cerca de sete dias, o Fluminense saiu do alto da sequência de 12 vitórias e da melhor campanha de times da Série A do Brasileirão para a queda na Libertadores. Agora, é preciso juntar os cacos e tentar se erguer novamente.
E o primeiro passo para se reerguer será segunda-feira, quando o Flu volta a campo pelo jogo de ida das semifinais do Campeonato Carioca, contra o Botafogo. A partida será às 20h (de Brasília), no Nilton Santos, e o Tricolor tem a vantagem de se classificar com o empate na soma dos resultados das semis por ter feito a melhor campanha na Taça Guanabara.
Além do Estadual, a equipe de Abel Braga ainda tem outras três competições para disputar em 2022: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana. Por ter sido eliminado na última fase da Pré-Libertadores, o Flu está na fase de grupos da Sula.