Atlético-MG se torna o 2º na história a eliminar Boca e River numa mesma Libertadores
Por O Globo Quinta-Feira, 19 de Agosto de 2021
Nem mesmo o mais fanático torcedor do River Plate discorda que o Atlético-MG mereceu ser semifinalista da Libertadores. O favoritismo já era do clube mineiro, mas a atuação dominante nesta quarta-feira, no Mineirão, tratou de acabar com qualquer discussão. A vitória por 3 a 0, com gols marcados por Zaracho (2) e Hulk, também fez o Galo atingir um feito que só havia acontecido uma vez em 61 anos: eliminar os dois gigantes argentinos na mesma edição do torneio. Na semi, os mineiros encaram o Palmeiras.
Nas oitavas de final, o adversário foi o Boca Juniors. Nas quartas, o River Plate. Apenas uma vez os dois caíram para o mesmo adversário na história da Libertadores — em 2016, quando o Independiente del Valle, do Equador. Na ocasião bateu os Millionarios nas oitavas e os Xeneizes nas semifinais. Mas ficaram com o vice-campeonato, perdendo a final do Atlético Nacional, da Colômbia. Feito histórico, agora dividido com o Atlético-MG.
A classificação também tem gosto de revanche. Isso porque o Galo teve esta oportunidade rara há 43 anos, mas não conseguiu eliminá-los. Vice-campeão brasileiro de 1977, o clube mineiro foi semifinalista da Libertadores, quando esta fase era disputada em um triangular. Atlético, River e Boca estavam no mesmo grupo.
Porém, o Galo venceu apenas uma partida das quatro — o River Plate em Belo Horizonte — e ficou em último lugar no triangular. O Boca Juniors avançou e foi bicampeão do torneio. Classificado, agora os mineiros pegam o Palmeiras para decidir quem irá até Montevidéu lutar pelo título.
Outros clubes também bateram na trave para atingir este recorde. O Cruz Azul, do México, venceu o River Plate nas quartas de final em 2001, mas perdeu a final para o Boca. Em 2003, o América de Cali passou pelos Millonarios nas quartas, mas caiu diante dos Xeneizes na decisão.
Por fim, o Atlético-MG também manteve a tradição de nunca ter sido derrotado em jogos de mata-mata da Libertadores dentro do Mineirão.
Queda argentina
A eliminação do River Plate só confirmou uma tendência vista no continente: como a Argentina está perdendo força nos torneios de clubes. A queda dos Millonarios significa que esta será a primeira vez nos últimos 15 anos onde o país não terá representantes na fases de semifinais da Libertadores e da Copa Sul-Americana.
Por outro lado, o Brasil quebrou um importante recorde: é a primeira vez em que conseguiu colocar três clubes na semifinal da Libertadores — e esse número pode aumentar dependendo do Fluminense, que joga nesta quinta-feira diante do Barcelona (EQU). Anteriormente, o Brasil já havia sido o primeiro país a colocar cinco clubes nas quartas de final da competição.
- Na Libertadores de 2021: Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG, Fluminense ou Barcelona (EQU)
- Na Sul-Americana de 2021: Bragantino, Peñarol, LDU ou Athletico, Santos ou Libertad (PAR)
Esta "crise" que está vivendo o país não acontece desde 2006, quando a Argentina também não teve representantes nas duas principais competições do continente. Nas ocasiões, Internacional e Pachuca, respectivamente, foram os campeões.
- Na Libertadores de 2006: Internacional, São Paulo, Chivas Guadalajara (MEX) e Libertad (PAR)
- Na Sul-Americana de 2006: Athletico, Pachuca (MEX), Colo-Colo (CHI) e Toluca (MEX).
Cabe destacar que, separadamente, a Argentina também não teve representantes entre os quatro melhores da América em outros anos. Na Libertadores, por exemplo, a última vez onde não teve equipes nas semifinais foi em 2010, quando a disputa foi entre Internacional, São Paulo, Chivas Guadalajara (MEX) e Universidad (CHI).
Já na Sul-Americana, esta situação ocorreu em mais três ocasiões. Em 2009, quando as semifinais foram disputadas entre Fluminense, Cerro Porteño (PAR), LDU (EQU) e River Plate (URU).
Em 2018, os quatro representantes foram Fluminense, Athletico, Santa Fe (COL), e Junior Barranquilla (COL). Além, claro, de 2021.