Em formato de FAQs (acrônimo da expressão inglesa "Frequently Asked Questions", que em tradução livre pode significar "Respostas para Perguntas Frequentes"), o ge responde algumas questões sobre o esquema.
Manipulação na Série B: perguntas e respostas sobre o esquema
Por Globo Esporte Quarta-Feira, 15 de Fevereiro de 2023
A operação “Penalidade Máxima”, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na última terça-feira, revelou um esquema de manipulação de resultados em três jogos da rodada final da Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado feito por meio de apostas esportivas.
O que é a investigação do MP?
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) investiga a manipulação de resultados em três jogos da 38ª rodada da Série B do ano passado. Segundo o promotor de Justiça Fernando Martins Cesconetto, os jogadores envolvidos deveriam cometer pênaltis no primeiro tempo das partidas.
Quem são os envolvidos?
Romário, ex-jogador do Vila Nova, e Matheusinho, e ex-jogador do Sampaio Corrêa, são dois dos envolvidos. Além deles, segundo o jornal O Popular, também participou do esquema o zagueiro Joseph, do Tombense, e o volante Gabriel Domingos, do Vila Nova, que teria emprestado a conta bancária para Romário receber o adiantamento.
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Romário, volante do Vila Nova — Foto: Roberto Corrêa/Vila Nova
Quem fez a denúncia?
O Vila Nova, clube onde Romário atuava, fez a denúncia ao Ministério Público. O presidente do Vila, Hugo Jorge Bravo, afirmou que tomou conhecimento do fato por pessoas de fora do clube e que passou a ir atrás dos envolvidos. Hugo Jorge Bravo conversou com Romário e com o suposto agente responsável pelo esquema.
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Hugo Jorge Bravo, presidente do Vila Nova, foi o responsável pela denúncia ao MP — Foto: Wildes Barbosa/O Popular
Quais jogos estavam envolvidos?
Vila Nova x Sport, Sampaio Corrêa x Londrina e Criciúma x Tombense, todos pela 38ª rodada da Série B do ano passado.
Há a possibilidade de outros jogos terem sido manipulados?
Sim. O Ministério Público vai continuar com a investigação.
Como funcionava o esquema?
Os jogadores envolvidos deveriam cometer pênaltis no primeiro tempo dos três jogos em questão para que a aposta fosse vencedora. Dos três jogos investigados, apenas em Vila Nova x Sport não houve marcação de pênalti no primeiro tempo, já que Romário não foi relacionado para a partida.
- Como no jogo do Vila Nova não houve o pênalti, mas houve o pagamento do sinal (R$ 10 mil) para o jogador envolvido, o apostador passou a cobrar excessivamente o atleta pelo prejuízo causado, já que nos outros jogos houve o pênalti, e os atores envolvidos esperavam receber cada um R$ 150 mil - explicou o promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás (MP-GO), Fernando Martins Cesconetto.
Quanto os jogadores receberiam?
R$ 150 mil no total, sendo R$ 10 mil como adiantamento e R$ 140 mil após o êxito da aposta.
Quanto os apostadores projetavam faturar?
A estimativa era de R$ 2 milhões, segundo o Ministério Público.
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Um dos jogos envolvidos no esquema foi Criciúma x Tombense — Foto: Reprodução/Premiere
Alguém foi preso?
Um empresário foi preso temporariamente, em São Paulo, suspeito de ser responsável pelas apostas e de intermediar contatos com jogadores.
Em quais crimes os envolvidos podem ser enquadrados?
Associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção em âmbito esportivo.
Os clubes podem ser penalizados?
Não. O Ministério Público isentou os clubes de qualquer participação no esquema.
Onde estão os jogadores?
Romário foi dispensado do Vila Nova ainda em 2022 e teve uma rápida passagem pelo Goiânia em 2023. Gabriel Domingos permanece no clube goiano. Mateusinho deixou o Sampaio Corrêa e fechou com o Cuiabá. Joseph continua no Tombense.
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Mateusinho, lateral do Cuiabá — Foto: AssCom Dourado
Quais os próximos passos?
A investigação vai continuar com análise do material apreendido nas buscas. Existe a suspeita de que jogos disputados já em 2023 também estejam envolvidos em esquemas de manipulação.
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Joseph, zagueiro do Tombense — Foto: Vcitor Souza/Tombense
O que diz a CBF?
A CBF apoia a iniciativa do Ministério Público do Estado de Goiás e está à disposição das autoridades para contribuir com as investigações. A entidade trabalha diariamente para combater a manipulação de resultados no futebol. A CBF informa que tem contrato com a Sportradar, líder mundial em prevenção, detecção e inteligência na preservação da integridade dos jogos, para monitorar e garantir proteção em relação a fraudes esportivas.
O que diz o Vila Nova?
O Vila Nova Futebol Clube informa que auxilia, na condição de denunciante, o Ministério Público do Estado de Goiás, que através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e do Grupo de Atuação Especial em Grandes Eventos do Futebol (GFUT), deflagrou a Operação Penalidade Máxima na manhã desta terça-feira (14).
O Vila Nova Futebol Clube aguarda a manifestação do MP/GO com mais informações e ressalta seu papel colaborativo e o compromisso com valores éticos, morais e de lisura que são princípios do clube e do esporte.
O que diz o Sampaio Corrêa?
O Sampaio Corrêa apoia as investigações, e espera que tudo seja devidamente esclarecido. O clube ressalta que não compactua com nenhum tipo de atitude que ultrapasse as quatro linhas do campo, e frisa que cada um dos supostos envolvidos responda pelos seus atos e arque com as consequências.
O presidente Sergio Frota destaca que o Sampaio, no lance em questão, foi duplamente prejudicado, pois na sequência o atacante Gabriel Poveda marcou um gol, anulado com o auxílio do VAR para a revisão da jogada. O pênalti então foi marcado para o Londrina.
O que diz o Tombense?
Procurado pelo ge, o presidente do Tombense, Lane Gaviolle, informou que o clube não foi notificado. Caso a notificação aconteça, o mandatário informou que o Tombense tomará as medidas cabíveis.
As defesas dos jogadores envolvidos não foram localizadas.