Em alta no Atlético-MG, Elias não descarta um retorno ao Flamengo no futuro
Por Extra Domingo, 21 de Outubro de 2018
O volante Elias, de 33 anos, é um dos pilares do Atlético-MG na boa campanha que o time faz no Campeonato Brasileiro. Após um período na reserva, o veterano voltou a jogar bem e hoje é titular absoluto da equipe que, pode-se dizer, ainda tem chances matemáticas de título. Mesmo com a mudança recente de treinador (Levir Culpi assumiu no lugar de Thiago Larghi), Elias segue firme no time para a partida contra o Fluminense, neste domingo.
— Fiquei um período fora onde pude repensar um pouco, treinar mais... até porque queria que, na oportunidade que tivesse, eu pudesse abraçar como venho abraçando. Fico feliz com o momento e a gente não pode nunca abrir mão de seleção brasileira — disse Elias, que trabalhou com Tite no Corinthians.
O jogador ainda não descarta o Atlético na briga pelo título, mas admite que a situação ficou bem difícil:
— A torcida do Galo pode esperar muita luta. Matematicamente ainda temos chance. Mas sabemos que a cada ponto perdido, vamos ficando mais distantes (dos líderes). É conquistar o maior número de pontos agora e tentar colocar o Atlético-MG na melhor situação possível.
No Brasil, Elias viveu um dos seus melhores momentos no Flamengo. Foi um dos destaques do time no título da Copa do Brasil 2013 e vê um retorno com bons olhos.
— Tenho um carinho especial pelo Flamengo. Um sentimento diferente. Me acolheram muito bem. Sempre que vou ao Rio, a torcida pede para que eu volte. Só que o tempo vai encurtando, né? Eu sempre falo que para jogar nessas equipes assim, você tem que estar bem condicionado, bem preparado para enfrentar bem o desafio, porque a pressão é grande... De qualquer forma, me sinto bem preparado. E se tiver que voltar um dia, bem, eu voltarei — disse Elias, que tem contrato até janeiro de 2020.
Por fim, ele relembrou o dia em que a torcida rubro-negra o fez chorar. Foi na partida contra o Goiás, pela semifinal da Copa do Brasil. O pequeno Davi, filho do jogador que estava internado com pneumonia, foi homenageado.
— É um momento marcante da minha vida. Um dia ele vai saber. Eles mostraram que o Brasil ainda tem jeito — concluiu.
Abaixo, a entrevista completa com o jogador.
Boa fase e seleção brasileira
“Fico feliz por ter voltado a jogar bem. Trabalhei pra isso. Fiquei um período fora onde pude repensar um pouco, treinar mais... até porque queria que, na oportunidade que tivesse, eu pudesse abraçar como venho abraçando. Fico feliz com o momento, a gente não pode nunca abrir mão de seleção brasileira. É difícil porque é um processo de renovação. Mas a gente é consciente de que, independentemente da idade do jogador, se estiver jogando bem, ele vai chamar”.
Atlético e a briga pelo título brasileiro
“A torcida do Galo pode esperar muita luta. Matematicamente ainda temos chance. Mas a gente sabe que cada ponto perdido, a gente vai aumentando a distância, vai ficando mais difícil. É conquistar o maior número de pontos agora e tentar colocar o Atlético-MG na melhor situação possível. Se for possível o título, a gente vai brigar até o final. Caso não, vamos atrás dos nossos objetivos, no caso a classificação direta para a Libertadores”.
Pensou em deixar o Galo?
“Nunca pensei em deixar o Atlético-MG. Momento ruim todo jogador passa, todo atleta passa na carreira. Tem que saber superar trabalhando, respeitando o companheiro. Se tiver que trabalhar mais, a gente trabalha. Acho que um período que ninguém gosta de passar, mas acaba passando. Fico feliz por ter recuperado o bom futebol, agradeço toda a equipe de trabalho, a comissão... que puderam me ajudar a superar”.
Bons volantes da nova geração
“Sempre surge... Acho que fui um dos pioneiros... Aquele jogador de meio de campo que chega à área, que faz gols, que participa mais da parte ofensiva cuidando sempre da sua posição. A gente vê surgindo novos jogadores como o Arthur, o caso do Gustavo Blanco, aqui do Atlético-MG, Willian Arão, que já não é um novo rosto... Mas é um jogador que é novo, com certeza tem voos mais altos para alcançar. A gente fica feliz de ter sido um dos pioneiros nessa função, jogador de meio de campo que chega ao ataque... que possam surgir mais jogadores deste tipo. Que eles consigam dar sequência... É uma posição difícil, complexa, mas que com certeza sempre faz a diferença... jogadores que atuam nessa posição, que têm essa característica, sempre fazem a diferença”.
Volta ao Flamengo
“Tenho um carinho especial pelo Flamengo. Um sentimento diferente. Me acolheram muito bem, recebi muito bem o carinho. Sempre que vou ao Rio, a torcida pede para que eu volte. Só que o tempo vai encurtando, né? Eu sempre falo que para jogar nessas equipes assim, você tem que estar bem condicionado, bem preparado para enfrentar bem o desafio, porque a pressão é grande. Sempre que eu vou aí, o pessoal pede para eu voltar e eu digo quem sabe um dia. Mas esse dia vai ficando mais difícil de chegar. A gente vai chegando ao final de carreira, mas é como eu falei... Para jogar nessas equipes, Flamengo e Corinthians, você tem que estar muito bem, porque a cobrança vai vir. Eles vão querer que você continue rendendo aquilo que rendeu nas outras passagens. De qualquer forma, me sinto bem preparado. E se tiver que voltar um dia, bem, eu voltarei”.
O dia em que a torcida rubro-negra fez Elias chorar (partida contra o Goiás, pela Copa do Brasil)
“Eu sempre falo... Um dia ele vai entender isso... O Davi, hoje, tem seis anos. Ele vai entender isso o que ele passou. O que a torcida fez. É um momento marcante na minha vida, não só na minha carreira, mas na minha vida... Na vida de todas as pessoas da minha família, todas as pessoas que sabem do que aconteceu. E eu serei eternamente grato à torcida do Flamengo por tudo aquilo que eles fizeram para que eu pudesse estar bem, todo o apoio que tive, serei eternamente grato. Independentemente de qualquer coisa, nós somos seres humanos. E a atitude que o Flamengo teve mostra que nós ainda temos jeito. Que o Brasil ainda tem jeito. Então, fico feliz. E espero um dia poder retribuir todo esse carinho novamente”.