Flamengo tem clima de cobrança e desgaste com Boto e departamento médico
Por Globo Esporte Sábado, 1 de Agosto de 2026
O Flamengo voltou da parada da Copa do Mundo sob críticas pelas atuações ruins e pelos resultados, que aumentaram a distância para o Palmeiras na tabela do Brasileirão. Às vésperas das oitavas de final da Libertadores, o clima internamente é de cobranças pelo estilo de jogo e insatisfações, direcionadas especialmente ao diretor José Boto e ao departamento médico.
Nos bastidores e até publicamente, a reação aos dois empates em sequência, contra São Paulo e Inter, foi de cobrança. O lateral Varela, por exemplo, criticou a maneira de jogar e citou a necessidade de "fechar as portas e começar de novo". O zagueiro Danilo adotou discurso de autocrítica no elenco e de trabalho incansável no período sem partidas. O time voltará a campo no dia 9, contra o Vitória, no Maracanã.
Uma ala do futebol rubro-negro avalia que o Flamengo perdeu quase tudo que tinha de bom dos tempos de Filipe Luís. Esse grupo ressalta que o time parou de controlar os jogos e também ficou mais vulnerável defensivamente. Não há problema de relacionamento com Leonardo Jardim, que é definido como um treinador direto e trabalhador. A divergência está no modelo de jogo e treinamentos.
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Jogadores do Flamengo em jogo contra o Internacional — Foto: Roberto Vinicius/AGIF
O elenco entende ainda estar assimilando a maneira como o português quer jogar. Aliado a isso, o treinador acredita que a Copa do Mundo atrapalhou esse processo, já que nove atletas ficaram dois meses sob o comando de outros técnicos, com ideias completamente diferentes.
— O Mister tem a análise dele e vamos sempre em direção ao que o treinador pensa. Estamos juntos nos desafios, mas nós, enquanto jogadores, temos de nos reconectar o quanto antes com as ideias do Flamengo. O Mister também, o mais rápido possível conseguir reagrupar essas ideias porque as decisões vêm aí, não esperam ninguém — disse Danilo após o jogo contra o Internacional.
Departamento médico e Boto
Outro fator que causa desgaste no dia a dia é o atrito existente entre comissão técnica e departamento médico. Jardim, inclusive, já tornou pública a insatisfação pela demora na recuperação dos atletas. Em certos momentos, o treinador recebe prazos que acabam postergados, como nos casos de Pulgar e Léo Ortiz. Isso gera questionamentos e cobranças de todos os lados.
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Léo Ortiz em exame de pré-temporada no Flamengo — Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
— O Léo Ortiz, infelizmente, a avaliação inicial não foi correspondida. Era para parar 15 dias, esperamos três semanas e quando cheguei no aquecimento ele continuava lesionado. Por isso não tenho data para a volta. Infelizmente, porque é importante e queria ter nos treinos — disse Jardim em entrevista coletiva durante a intertemporada em Portugal, no início de julho.
A instabilidade com o DM não é nova. Desde a chegada de Bap à presidência, em dezembro de 2024, o setor passou por uma reformulação praticamente completa e viveu uma crise pela declaração de José Luiz Runco, ex-chefe do departamento, sobre De la Cruz. Além disso, precisou restabelecer a confiança dos atletas, que demonstravam preocupação com a metodologia aplicada.
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A turbulência não se resume ao departamento médico. A relação do diretor de futebol, José Boto, com jogadores e funcionários continua desgastada, marcada pela frieza e por cobranças consideradas duras demais em alguns casos.
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Leonardo Jardim e José Boto conversam no Flamengo — Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
O processo de demissão de Filipe Luís, em março, aumentou a rejeição ao diretor internamente. Desde que chegou, o português não fez questão de ser uma figura bem-quista. Boto é apontado como grosseiro em alguns momentos, criticado por aparecer demais em materiais de divulgação do clube e por exigir que funcionários prestem serviços particulares a ele, como de limpeza. A relação com o elenco é distante.
O presidente Bap, que esteve no CT nos últimos dias para reuniões como de costume, esperava que a crise se dissipasse com os títulos conquistados no ano passado, mas viu o desgaste atingir o auge no início deste ano. O presidente chegou a procurar substitutos para Boto, mas decidiu mantê-lo, apostando também na relação do diretor com Leonardo Jardim. Mas nem isso acalmou os ânimos, e a permanência de Boto para 2027 é considerada pouco provável.
Diante deste cenário, o Flamengo tenta se reconstruir para encontrar o caminho das vitórias e da tranquilidade às vésperas das oitavas de final da Libertadores. Uma eliminação precoce é vista como catastrófica para o planejamento, depois da queda logo de cara na Copa do Brasil.