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Entenda em 5 pontos como temporada 2024 do rubro-negro se transformou em desastre

Por O Globo   Segunda-Feira, 30 de Setembro de 2024

O Flamengo anunciou, nesta segunda-feira, a demissão do técnico Tite, após a vitória sobre o Athletico, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O ex-jogador Filipe Luís, que é treinador do time sub-20 rubro-negro, comandará a equipe interinamente até a chegada de um novo comandante. Tal qual no ano passado, o Rubro-Negro caminha para repetir uma temporada de frustração e ausência de títulos relevantes, fruto de desajustes nas estratégias tomadas dentro de campo e fora dele.

 

 

Por que Tite foi demitido do Flamengo?

 

A queda nas quartas de final da Libertadores diante do Peñarol (Uruguai), colocou novamente em evidência o trabalho ruim de Tite e sua comissão técnica. Tudo chancelado pelos desastrosos erros de rota conduzidos pela diretoria de Rodolfo Landim, Marcos Braz e companhia, em meio a um tumultuado calendário de jogos e quantidade incomum de lesões no elenco.

Cada vez mais perto de nova estaca zero na posição de técnico, o rubro-negro pode fechar 2024 apenas com o título do Campeonato Carioca, algo irrisório para as expectativas geradas por um dos elencos mais poderosos da América do Sul. A partir de agora, o GLOBO explica porque esta temporada se transformou em um desastre.

 

 

1 - Comissão técnica não engrenou

 

No cenário de treinadores brasileiros, Tite ainda se apresenta como o melhor nome, e é acompanhado por uma comissão vasta e bem dividida entre pessoas competentes. Porém, que não encaixou no Flamengo. O trabalho iniciado em outubro de 2023 tinha a missão de organizar o elenco e garantir a vaga na Libertadores. Para este ano, a ideia era evoluir o futebol rubro-negro e tornar natural as conquistas nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, a passagem de seis anos do gaúcho pela seleção mudou seu perfil de futebol.

 

Tite dá instruções ao Flamengo durante o empate com o Peñarol — Foto: Eitan ABRAMOVICH / AFP
Tite dá instruções ao Flamengo durante o empate com o Peñarol — Foto: Eitan ABRAMOVICH / AFP

Antes propositor de futebol mais agressivo, vide o Corinthians, Tite busca mais um jogo posicional nos dias atuais. Novamente, o elenco do Flamengo não se mostrou o mais adepto a isso. Desde a temporada inesquecível de 2019, os pilares dessa equipe, como Arrascaeta, Gerson, Bruno Henrique e até Gabigol, funcionam em um esquema com mais mobilidade. Distante desta característica, prevalece a esterilidade ofensiva, além da fragilidade defensiva nunca solucionada.

 

2 - Má gestão de prioridades

 

Em um calendário que pode beirar os 70 ou 80 jogos no Brasil, os times que se propõem a ir longe em todas as competições são ironicamente punidos com o desgaste de seus jogadores. Mas esta é uma realidade longe de solução, exigindo uma escolha de prioridades, e o Flamengo optou por "abraçar o mundo". Após não vencer nada em 2023, quis começar a nova temporada com todas as forças, e conquistou o Carioca de maneira absoluta.

Rodolfo Landim em participação no Charla Podcast — Foto: Reprodução/Youtube
Rodolfo Landim em participação no Charla Podcast — Foto: Reprodução/Youtube

 

A competição menos exigente do ano, porém, passou impressões errôneas. Enquanto isso, o clube minou sua campanha na fase de grupos da Libertadores, passando no segundo lugar e precisando sempre decidir fora de casa no mata-mata. Já em meio ao Brasileiro, do qual que o clube é quarto colocado, 11 pontos atrás do líder Botafogo, prefere-se poupar para focar nas competições eliminatórias, política que se apresenta desde 2021 e teve sucesso apenas na temporada seguinte. Agora, resta virtualmente apenas a Copa do Brasil — semifinal contra o Corinthians.

 

3 - Efeito cascata do calendário

 

Esta temporada ainda trouxe um desafio extra: a Copa América, que tirou cinco jogadores (Arrascaeta, De La Cruz, Viña, Varela e Pulgar) do Flamengo de vários compromissos do meio do ano, pois a CBF não parou seu calendário em meio à disputa. Apesar de a equipe ter apresentado bom desempenho no período, a parte física foi levada ao extremo, com os jogadores remanescentes precisando fazer esforços extras. Para fechar, os convocados voltaram, mas também em situação frágil e o time se "esfarelou".

Arrascaeta comemora um dos gols que deram o triunfo ao Flamengo contra o Vitória — Foto: Maurícia Da Matta/W9 PRESS/Agência O Globo
Arrascaeta comemora um dos gols que deram o triunfo ao Flamengo contra o Vitória — Foto: Maurícia Da Matta/W9 PRESS/Agência O Globo

 

4 - Lesões em demasia

 

O fator imponderável também ajuda a explicar uma temporada que segue o roteiro do fracasso. O principal deles: perder Pedro, o artilheiro disparado da equipe, pelo restante do ano, por conta de uma lesão grave no joelho em um treino da seleção brasileira. Nomes importantes, como Everton Cebolinha e Matías Viña, também se machucarem de maneira definitiva. As lesões no rubro-negro aparecem em demasia em 2024.

Pedro, atacante do Flamengo, marca contra o Corinthians — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Pedro, atacante do Flamengo, marca contra o Corinthians — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Cabe pontuar que a enxurrada de problemas musculares recorrentes também se dá pela inabilidade do Flamengo em escolher suas prioridades. Se todos os atletas jogam em todas as frentes, a conta chega em algum momento. Em abril, o blog do Diogo Dantas informou que o rodízio de Tite no Flamengo se preocupava mais com performance do que com lesões. No final das contas, tantos problemas físicos inviabilizam a manutenção de um padrão de jogo à altura as expectativas.

 

5 - Janela tardia no meio do ano

 

Correr atrás do prejuízo apenas quando ele já se apresenta é um dos erros mais graves da diretoria rubro-negra. Dinheiro não falta para o clube com maior faturamento da América do Sul, que fez do argentino Carlos Alcaraz sua maior contratação em todos os tempos.

Marcos Braz, vice presidente de futebol do Flamengo — Foto: Beatriz Orle / Agência O Globo
Marcos Braz, vice presidente de futebol do Flamengo — Foto: Beatriz Orle / Agência O Globo

O pacotão do meio do ano ainda teve Michael (lesionado), Alex Sandro e Gonzalo Plata, mas trazê-los em cima da hora ainda surte pouco efeito e escancarou a falta de planejamento, enquanto os adversários fizeram isso de maneira organizada. Ontem, Alcaraz sequer pisou em campo no Uruguai.

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