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Atritos, adaptação e parceria: o adeus de Honda ao Botafogo

Por Globo Esporte   Terça-Feira, 29 de Dezembro de 2020

relação entre Botafogo e Keisuke Honda chegou ao fim e o último capítulo, a rescisão contratual, vai ser escrito ainda nesta semana. Lesionado e com proposta do futebol europeu, o japonês pediu para deixar o clube após dez meses de badalação externa, mas poucos resultados dentro de campo. No entanto, este pode não ser o ponto final de sua história com o time alvinegro.

ge apurou que o meia de 34 anos quer manter algum vínculo com o Botafogo, mas os detalhes dessa nova fase da parceria ainda não foram definidos. Existe a possibilidade de Honda se tornar um embaixador do Bota na Ásia, levando a marca do clube brasileiro para outro continente. O japonês tem vontade também de distribuir planos de sócio-torcedor aos alvinegros e ter projetos no Brasil.

A ajuda do atleta, como ele mesmo supôs em sua decisão de deixar o clube, está ainda em aliviar a folha salarial nos próximos dois meses, apesar de que seus vencimentos não influenciam muito nos gastos mensais do Botafogo. O contrato previa rescisão por qualquer uma das partes a qualquer momento, o que foi feito pelo japonês.

O acordo entre Honda e clube aconteceu sem traumas, e o camisa 4 entendeu que era melhor estar perto da família para se recuperar da lesão na coxa esquerda antes de definir seu futuro. O Botafogo concluiu que segurar um jogador insatisfeito não seria produtivo.

 

+ Gols, jogos, aproveitamento e nenhuma assistência: números de Honda

Honda deixa o Botafogo após 27 jogos — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Honda deixa o Botafogo após 27 jogos — Foto: Vitor Silva/Botafogo

 

O que está por trás da decisão?

 

A lesão que o mantém afastado até fevereiro e o interesse do mercado europeu são dois grandes fatores que explicam o divórcio. Mas não são os únicos. A dificuldade de adaptação ao futebol brasileiro pesou para o jogador.

Honda teve dificuldade de processar cultura, fuso horário, clima e, por isso, não estava se sentindo 100%. Parte dos problemas físicos estão nessa adaptação, além da idade avançada.

Outro fator que pesou para a decisão foram atritos no vestiário. O japonês ficou insatisfeito em alguns momentos com hábitos e posturas de alguns companheiros. Ao mesmo tempo, a liderança do estrangeiro não era bem aceita por parte do elenco. Após a derrota para o São Paulo, há 20 dias, o ge trouxe que o clima no vestiário incomodou dirigentes.

O meia ainda estava desconfortável com a desorganização do calendário do futebol brasileiro e, especialmente, os problemas internos do Botafogo. A falta de uma gestão profissional, que levou o time a ter cinco técnicos na temporada, já rendeu até críticas públicas por parte de Honda.

O pensamento de deixar o Botafogo não vem de agora, mas o meia havia se acertado com a nova comissão técnica e com o gerente de futebol Túlio Lustosa, tanto que assinou a extensão do vínculo até 28 de fevereiro de 2021. A lesão foi o ingrediente que faltava para Honda ir embora.

O técnico Eduardo Barroca foi comunicado da situação no último domingo, após a derrota para o Corinthians, e ainda não teve a oportunidade de conversar com o atleta. A diretoria informou ao departamento de futebol que a decisão estava tomada e não era passível de diálogo.

Veja os três gols de Honda pelo Botafogo

 

Resultados aquém do esperado

 

Nos dez meses e 27 jogos pelo Botafogo, Honda teve atuações regulares, mas não foi brilhante. O jogador funcionou em muitos momentos como organizador do time, mas conseguiu com pouca frequência os gols e as grandes jogadas.

Mesmo sem ter apresentado futebol suficiente para se destacar, Honda conquistou espaço no meio de campo e o entendimento é de que sua experiência fará falta no elenco curto do Botafogo. Sem possibilidade de fazer novas contratações para o Brasileiro, a perda do japonês enfraquece a competição interna.

Mas a expectativa maior sempre foi fora das quatro linhas. O Botafogo fez uma série de planos para usar a imagem do japonês, dar visibilidade internacional ao clube, atrair o torcedor e arrecadar com sócios e venda de produtos. Os planos ficaram no mundo das ideias, e os resultados extracampo também não foram significativos.

No primeiro momento, o Botafogo conseguiu aumentar o número de sócios-torcedores. O clube também pensou em produtos personalizados: foram comercializadas camisas com o nome de Honda em japonês, o número 4 e as bandeiras do Brasil, Japão e do Botafogo; recentemente, foi lançada a almofada do japonês. A pandemia e os jogos sem público acabaram atrapalhando os planos.

O Botafogo ganhou com mídia espontânea, aproximação com parceiros pontuais e maior visibilidade internacional, mas longe do que foi projetado. Por outro lado, Honda ajudou além dos muros de General Severiano e do Nilton Santos.

Honda transforma vidas com doações diárias

 

O japonês se envolveu com os problemas do Brasil, e a realidade do Rio de Janeiro o fez ter vontade de ajudar os brasileiros. Desde que chegou, ele se mostrou preocupado com questões sociais e, principalmente, com o acesso de crianças à educação. Chegou a pensar em criar um projeto voltado para jovens, e o incentivo, mesmo de saída do Botafogo, não está descartado.

Além disso, Honda desenvolveu ação solidária por meio de suas redes sociais para doar R$ 500 para seguidores brasileiros. Prestes a deixar o Brasil, o japonês agora pensa em outras formas de manter a relação com o país e com o Botafogo.

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