De Lino a laterais do Fla, Leonardo Jardim muda perfil do ataque e potencializa jogadores
Por O Globo Terça-Feira, 17 de Março de 2026
Três jogos sob o comando de Leonardo Jardim serviram para o Flamengo apresentar um novo perfil ofensivo. No título carioca conquistado nos pênaltis contra o Fluminense e, principalmente, nas vitórias contra Cruzeiro (2 a 0) e Botafogo (3 a 0), pelo Brasileirão, alguns ajustes táticos já fizeram alguns jogadores como Lucas Paquetá, Samuel Lino e os laterais mudarem de comportamento e subirem de produção.
Lino ficou definitivamente em evidência pela assistência contra os mineiros e o gol que abriu o placar contra o alvinegro , e porque Jardim dá indícios de fazer pedidos diferentes aos pontas. Com Filipe Luís, estes jogadores ficavam mais presos à laterais em um esquema posicional, com funções muitas vezes defensivas. Agora, estão centralizando mais e com liberdade para criar espaço na grande área.
Quando adquirido do Atlético de Madrid — à época, a contratação mais cara da História do Flamengo —, Samuel Lino chegou justamente pela sua capacidade em driblar no espaço curto e se movimentar para finalizar. Foi assim que fez o gol no fim de semana, recebendo passe de Varela e batendo de primeira, contando com desvio para balançar a rede. Após a partida, expôs as novas orientações:
— É um jogo com mais liberdade, troca de posição, jogo por dentro e muita intensidade. Aqui no Brasil, quando você coloca uma intensidade maior, como os treinadores portugueses gostam, isso acaba sobressaindo — disse no Nilton Santos. — Quando vem treinador novo, tudo é novo. Às vezes, pensamos que não vai encaixar, mas o mais importante é que o grupo acreditou na ideia do Jardim.
Se Samuel Lino tem se apresentado melhor pelo lado esquerdo e acirrado a concorrência com nomes como Everton Cebolinha e Carrascal, Paquetá tem feito o mesmo pela direita. Evidentemente, com as características mais marcantes de articulador, o meia tem encontrado mais liberdade para lançar os companheiros. No gol de Pedro, o terceiro do clássico, ele faz bom lançamento para Varela servir o centroavante.
Os laterais têm encontrado mais liberdade a partir de uma mudança no conceito de saída de bola. Jardim tem deixado a dupla de zaga mais presa e feito Pulgar aparecer para construir jogo pelo lado — e não como um terceiro zagueiro centralizado. Com isso, os laterais são soltos para aproveitar o corredor, e aumentam a quantidade de opções na frente. Na direita, Varela e Emerson Royal já jogavam desta forma, mas até Alex Sandro, que costumava ficar mais recuado, tem arriscado subidas ao ataque.
Outra mudança com o treinador português é a objetividade e a verticalidade com a bola no pé. Jardim tem feito o time decidir mais rápido as jogadas para chegar ao gol, o que tem se refletido na equipe abrindo o placar cedo, e tendo mais armas para condicionar a partida. Para além de todos os jogadores que ainda buscam espaço, Pedro já virou uma certeza e recuperou a titularidade com um jogo de mobilidade e ainda aparecendo como centroavante clássico.
— Não sou um treinador que admira a posse de bola estéril. Acredito que a posse de bola tem um objetivo: de criar espaço ou superioridade sobre o adversário. Quando o adversário pressiona menos, temos mais posse. Quando pressionam mais, deixam espaços que vamos aproveitar — explicou Jardim na coletiva do sábado. — É importante associar um jogo coletivo para dar dificuldades ao adversário. Estamos trabalhando ideias ofensivas de roubar a bola e sempre procurar o passe à frente, mais passes entrelinhas, e menos passes para os lados e para trás.