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Derrota vai além das falhas de um Flamengo irreconhecível; saiba

Por Globo Esporte   Segunda-Feira, 26 de Janeiro de 2026

Flamengo que perdeu para o Fluminense no último domingo esteve irreconhecível em campo até para um time ainda em pré-temporada (como demonstrou em desempenho bem melhor contra o Vasco quatro dias antes). As falhas individuais de Léo Ortiz e Emerson Royal explicam o placar adverso de 2 a 1 no Maracanã, mas a atuação muito ruim vai além.

Começando pelo campo mais pesado em função da chuva. É prejudicial para os dois lados? Óbvio. Mas quem tem um maior número de jogadores longe das melhores condições sente mais, naturalmente. E o Flamengo, que foi o último clube a se reapresentar em 2026, esteve longe do mesmo frescor físico que impôs diante do Vasco. Do time titular, Alex Sandro, Ortiz e Allan pareciam ter as pernas pesadas naquele gramado encharcado.

Pedro em Fluminense x Flamengo — Foto: André Durão / ge

Pedro em Fluminense x Flamengo — Foto: André Durão / ge

No tema escalação, Filipe Luís manteve a estratégia de rodar o time. Mas acabou entrando em campo com um meio de campo muito pesado e pouco criativo, com dois volantes de marcação: Allan e Evertton Araújo. O técnico, que costuma dizer que sua forma de jogar exige muito dos volantes, até se justificou na entrevista coletiva dizendo que não tinha outra opção, pois o Pulgar só poderia jogar 45 minutos. Mas será que ele esqueceu que já improvisou o Varela ali e funcionou bem?

Scout - Fluminense x Flamengo

Quesito Fluminense Flamengo
Posse de bola 41% 59%
Finalizações (no alvo) 9 (6) 7 (2)
Chances de gol* 4 3
Passes (precisão) 393 (81%) 596 (87%)
Desarmes 18 10
Faltas 21 19
Escanteios 5 6
Impedimentos 1 2

Fonte: ge (*leitura do autor)

Fato é que o Flamengo em nenhum momento controlou o meio de campo. O Fluminense, com dois volantes de vigor físico (Bernal e Nonato) e um meia que também sabe marcar (Lima), simplesmente tirou a bola dos rubro-negros (que só passaram a ter mais após sair atrás do placar) e foi superior na maior parte do jogo. Além dos dois gols, o time tricolor chegou outras duas vezes com perigo no primeiro tempo: em uma cabeçada de Guga e no chute de Serna defendido pelo estreante Andrew.

Como o Flamengo não conseguia ficar com a bola para criar, obrigava Pedro e Luiz Araújo a recuarem para buscar jogo. O centroavante conseguiu fazer alguns pivôs, mas longe da área adversária, enquanto o camisa 7 tentou atacar de armador, mas sem sucesso. A única chance de gol rubro-negra no primeiro tempo foi na bola parada: na cobrança de escanteio de Carrascal que desviou no meio do caminho e ficou à feição para Samuel Lino só empurrar para o gol vazio na segunda trave, mas ele errou o alvo aos 34 minutos (veja no vídeo abaixo).

Aos 34 min do 1º tempo - chute dentro da área para fora de Samuel Lino do Flamengo contra o Fluminense

Aos 34 min do 1º tempo - chute dentro da área para fora de Samuel Lino do Flamengo contra o Fluminense

A entrada de Pulgar no intervalo, no lugar de Allan, melhorou o passe do time. Porém, a troca já programada de Pedro por Bruno Henrique piorou a equipe ofensivamente. A bola batia no ataque e voltava, e o Flamengo mal conseguia assustar. Foram só sete finalizações, o menor número desde as seis que deu no empate em 0 a 0 com o Racing na Argentina, na semifinal da Libertadores do ano passado, quando jogou todo o segundo tempo com um homem a menos (Plata foi expulso).

O Flamengo só melhorou na substituição derradeira de Filipe Luís, com a entrada de Cebolinha. Ele fez um gol de oportunismo na bola parada, aos 27 minutos, e quase empatou o jogo em linda jogada individual que Fábio defendeu aos 36 (veja no vídeo abaixo). O atacante tem sido mais produtivo do que Samuel Lino neste início de temporada e, por meritocracia, não pode ficar como última opção.

Aos 36 min do 2º tempo - chute de fora da área defendido de Everton do Flamengo contra o Fluminense

Aos 36 min do 2º tempo - chute de fora da área defendido de Everton do Flamengo contra o Fluminense

O Flamengo respira por aparelhos no Campeonato Carioca (clique aqui para entender as contas de uma remota chance de classificação) e corre sério risco de precisar jogar o quadrangular do rebaixamento, em que um time cai para a Série B estadual. A iminente participação no "grupo da morte" não deixa de ser uma vergonha para a instituição, mas pelo contexto não chega a ser uma crise para um clube que prioriza e sonha com competições maiores.

Os jogadores do Flamengo se reapresentam na manhã sexta segunda-feira no Ninho do Urubu e iniciam a preparação para a estreia no Campeonato Brasileiro na quarta, às 21h30 (de Brasília), contra o São Paulo no Morumbis. E antes de voltar ao Carioca, o time rubro-negro também disputa o primeiro título da temporada na decisão da Supercopa do Brasil diante do Corinthians no domingo no Mané Garrincha.

Bruno Henrique não entrou bem no Fla-Flu — Foto: Thiago Ribeiro / AGIF

Bruno Henrique não entrou bem no Fla-Flu — Foto: Thiago Ribeiro / AGIF

 

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