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Análise: Fla vence o Bota, mas ainda falta acomodar Arrascaeta e De la Cruz

Por Globo Esporte    Quinta-Feira, 8 de Fevereiro de 2024


- Sim. E com o tempo você me cobra.

Essa foi a resposta de Tite à pergunta sobre se é possível acomodar Arrascaeta e De la Cruz de forma que o reforço ex-River Plate se aproxime mais do gol adversário para chutes de meia distância e combinações com os atacantes. A questão se fez necessária porque o Flamengo venceu por 1 a 0 o clássico contra o Botafogo com um futebol arrastado e sem criatividade.

Sim, é intrigante um time criar tão pouco numa partida em que começou com um meia cerebral e outro de grande dinamismo, além de um coringa de técnica refinada e um volante box-to-box dotado de muitas qualidades. Por outro lado, é preciso fazer ponderações. Uma delas é que o duelo com o Alvinegro foi apenas o quarto jogo de De la Cruz como titular do Flamengo. Outra é que a equipe atuou quatro vezes num intervalo de 11 dias, com direito a viagem desgastante e mudança de fuso horário.

De la Cruz em ação no Flamengo x Botafogo — Foto: Gilvan de Souza / CRF

De la Cruz em ação no Flamengo x Botafogo — Foto: Gilvan de Souza / CRF

A entrada de De la Cruz fez o time mudar de configuração em relação ao sistema utilizado por Tite nos 12 jogos em que dirigiu o Flamengo em 2023. O estilo do uruguaio de 26 anos é completamente diferente do ponta-direita Luiz Araújo, que entraria no segundo tempo.

Outra ressalva importante é que o Flamengo não teve pela frente uma equipe qualquer. Trata-se de um clube que esteve próximo de conquistar o último Brasileiro e que entrou forte no mercado em 2024, trazendo inclusive o jogador mais caro da atual janela, o ponta-direita Luiz Henrique, que, por sinal, não se criou no clássico.

 

Uruguaios erram muito, e Pedro pouco aparece

 

Ponderações feitas, é preciso ser realista: Flamengo teve atuação modorrenta no primeiro tempo, e as melhores chances foram do adversário - Rossi foi providencial numa delas, em chute à queima-roupa de Tiquinho. O 4-1-4-1 de Tite não funcionou bem.

De la Cruz muito aberto pela direita parecia um claro desperdício. Daquela faixa do campo, até conseguiu bons passes na entrada da área, mas nunca esteve próximo dos atacantes ou em condição de arriscar arremates de fora da área.

Arrascaeta, por sua vez, errava passes simples, não somente os forçados que os craques costumam arriscar. Além disso, chamou a atenção a quantidade de vezes em que perdeu a posse quando estava em progressão contra a meta adversária. Rivais deslocavam-se de distâncias consideráveis da linha da bola e o desarmavam com facilidade.

A dupla, aliás, só superou Everton Cebolinha (55% - 10 em 18 tentados) em índice de acertos de passes. Arrascaeta acertou 66% dos 42 (14 errados), e De la Cruz 69%, de 33 (10 errados).

Resultado: nenhuma das três finalizações do Flamengo no primeiro tempo levaram perigo à meta de Gatito.

Não falamos de Pedro. Pois é, ele pouco apareceu, mas também quase não o acionaram. Finalizou uma só vez, num chute de longa distância. Na oportunidade que teve de se consagrar, aos 14 minutos, errou. De la Cruz o procurou na meia-lua, e Arrascaeta saiu da bola e partiu para ponta. O camisa 9 tentou o passe de primeira, mas exagerou na força.

 

Sistema defensivo anula rival, e vitória vem na bola aérea

Tite voltou do intervalo com uma substituição programada, segundo o próprio revelou em coletiva. Tirou Varela e colocou Wesley, jogador de maior profundidade. Com o jovem pelo corredor, De la Cruz começou a aparecer mais pelo meio e até iniciou uma jogada promissora. A trama, que teve corta-luz de Gerson, só não terminou em finalização porque Pedro pediu falta de Lucas Halter na entrada da área.

De la Cruz, porém, só ficaria 13 minutos em campo. De acordo com o treinador, a troca também já estava programada. Luiz Araújo o substituiu.

Com dobras tanto na marcação quanto para atacar nos dois lados, o Flamengo tirou o Botafogo do jogo. Não exerceu um domínio vistoso, mas protegeu-se muito bem e evitou qualquer tipo de sofrimento.

Uma figura importante para essa solidez defensiva foi Gerson. O Coringa, criticado por alguns torcedores por prender a bola em determinados momentos, foi fundamental na recomposição e ajudou muito na marcação a Luiz Henrique. Fez três desarmes e cometeu três faltas, com grande taxa de entrega no combate.

Os zagueiros pouco sofriam também. Às vezes tomavam decisões erradas na saída de bola, mas defensivamente cumpriam seu trabalho com louvor e ainda apareceram na frente para ajudar. Fabrício Bruno fez combinação na ponta esquerda com direito a corta-luz e passe no ponto futuro na mesma jogada. Léo Pereira, que precipitava alguns passes mais do que o habitual, decidiu a parada.

Léo Pereira e Fabrício Bruno comemoram a vitória sobre o Botafogo, pelo Carioca — Foto: André Durão

Léo Pereira e Fabrício Bruno comemoram a vitória sobre o Botafogo, pelo Carioca — Foto: André Durão

Se no domingo, contra o Vasco, destacara-se por intervenções providenciais na linha do gol, nesta quarta a glória veio no ataque. Quando Ayrton Lucas ajeitava o corpo para levantar na área, andou alguns passos para trás e depois disparou em direção à bola. Meteu-se no meio de quatro rivais, acreditou na falha de Gatito e estufou a rede.

A entrada de Bruno Henrique também merece destaque. Fez seu melhor jogo em 2024. Deu profundidade ao Flamengo, infernizou o lado direito da defesa alvinegra e voltou a ter boas condições de lutar pela titularidade. Gabigol, que entrou aos 32 minutos, também deu mais amplitude com sua movimentação, mas pouco participou.

O 1 a 0 sobre o Botafogo teve o selo do "venceu, mas não convenceu". Tite, porém, garantiu que acomodará os dois principais meio-campistas de maneira que façam um Flamengo mais criativo.

 

- Sim (é possível acomodar De la Cruz e Arrascaeta juntos). E com o tempo você me cobra. Guarda essa pergunta que você vai me fazer de novo e nós vamos considerar. Requer tempo de entrosamento dos quatro homens de meio de campo com um jogador de profundidade pelo lado, que normalmente é o lateral. Guarda essa pergunta que a gente vai voltar a conversar.

 

O momento não é de questionamentos defensivos. O plantel principal do Flamengo sofreu apenas um gol em seis jogos. Mas o meio de campo precisa ser mais criativo. A pergunta está guardada, Tite, e em breve a gente conversa.

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