Abel foi o craque do jogo e roubou a cena no pós-jogo - com muitos méritos. Afinal, uma sintonia como esta não é construída da noite para o dia. São anos de história.
Atropelo na conquista da Taça Guanabara coroa amor entre Abel e o Flu
Por Globo Esporte Domingo, 6 de Março de 2022
"No salão nobre do Fluminense eu velei meu filho. O Fluminense para mim é alma. É alma. Simplesmente isso".
Peço desculpas de antemão se soar repetitivo abrir outra análise com aspas do técnico Abel Braga, ainda mais que elas não são diretamente direcionadas à goleada tricolor em cima do Resende por 4 a 0, que garantiu a conquista antecipada da Taça Guanabara ao clube.
Mas precisamos falar sobre elas!
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Abel Braga em Fluminense x Resende — Foto: Fluminense
Você pode não gostar de Abel Braga, não concordar com as escolhas dele, pode até mesmo não torcer por ele. Mas jamais negar a relação vitoriosa e de amor entre ele e o Fluminense.
A frase em que Abel recordou João Pedro Braga, o filho mais novo, que morreu em 2017, no Rio de Janeiro, para se declarar ao Fluminense foi a prova viva de que hoje, no Brasil, não existe um sentimento tão intenso entre técnico e clube.
"É uma relação muito grande, mesmo quando eles (torcedores) não gostam, perdem, vaiam, não gostam de substituição... eu cheguei a uma conclusão... o Fluminense é alma"
Como disse, como torcedor, comentarista ou crítico em geral, você pode acreditar que Abel venha pecando em insistir em peças e em uma ideologia de jogo para confrontos importantes tendo opções em melhor fase.
Pode até mesmo lamentar a falta de oportunidades para alguns jogadores ou outros que vêm pedindo passagem - como é o meu caso.
Mas os números comprovam, quer você queira ou não, que ele segue fazendo história pelo Fluminense. Isto é inegável: são 12 conquistas, quatro como jogador e oito como técnico.
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Fluminense comemora gol contra Resende — Foto: André Durão/ge
É claro que é muito cedo ainda para julgar uma temporada, que ainda está engatinhando. Mas 11 vitórias consecutivas não são obra do acaso ou somente de um elenco que vem se mostrando qualificado.
O massacre promovido contra o Resende, com um time considerado "B", reserva, suplente, misto ou como queiram determinar, em um jogo que valia a conquista da Taça Guanabara, tem, sim, muita influência do treinador.
Basta lembrar que Nonato, Martinelli, Ganso e Arias já estavam no Fluminense na temporada passada e não conseguiram se destacar como agora. O time todo foi impecável, mas, mais uma vez, quem ditou o ritmo - assim como no clássico contra o Vasco - foi o meio de campo.
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Arias e Nonato comemoram gol do Fluminense — Foto: André Durão/ge
Este meio com troca de passes, criatividade e muito poder ofensivo realmente vem encantando e cobrando mais espaço.
Há de se ter o discernimento do tamanho dos confrontos. Mas quem além do Fluminense neste momento consegue empolgar tanto mesmo não tendo "força máxima" na óptica do treinador?
Digo empolgar porque é preciso também saber separar o que é curtir uma grande fase de se iludir.
O torcedor que se priva de comemorar este momento e a conquista da Taça Guanabara, ao meu ver, está equivocado. Aquele que tira os pés do chão e esquece que é o início de trabalho está exaltado.
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Jogadores do Fluminense comemorando contra o Resende — Foto: Mailson Santana/FFC
Se outras taças virão com Abel Braga, nem mesmo o melhor dos videntes consegue cravar agora. Mas uma coisa é certa: o Fluminense precisa se acostumar novamente a viver de títulos.
E se tem alguém que sabe como vencê-los por esse clube, esse alguém, certamente, é Abel Braga.
Não digo isto aqui fazer papel de guardião de treinador. Mas para afirmar que em suma é melhor vencer jogos que muitos apontam como "fáceis", com um treinador identificado com o clube, do que iniciar o ano acumulando frustrações, como muitos outros grandes no Brasil.
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Fluminense campeão da Taça Guanabara — Foto: André Durão
Se Abel é realmente o nome ideal, não sou eu que tenho que determinar. Mas, com ele, como bem diria o poeta tricolor Nelson Rodrigues, o passado e o futuro estão interligados:
"Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória".
Sem chances de ser alcançado na Taça Guanabara e com a vaga assegurada no mata-mata do Campeonato Carioca, na última rodada, no próximo domingo, o Fluminense de Abel Braga vai a Bacaxá, onde jogará com o Boavista. Antes, porém, às 21h30 da próxima quarta-feira, o clube enfrentará o Olimpia pelo primeiro jogo da terceira fase da pré-Libertadores, no Nilton Santos.