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Vasco e Flamengo fazem clássico em meio a escalada de tensão entre diretorias

Por Globo Esporte   Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2026

Em um ano marcado por desavenças nos bastidores, Vasco e Flamengo se enfrentam nesta quinta-feira, às 20h, com nervos à flor da pele, em duelo que será essencial para missões distintas das equipes no Campeonato Brasileiro. Enquanto o cruz-maltino luta contra o rebaixamento, o rubro-negro protagoniza mais uma vez a briga pelo título. Fora de campo, o aumento da rivalidade entre as diretorias levou o mandante a conduzir para o Nilton Santos o confronto, válido pela 33ª rodada.

Nas últimas discussões, à medida que o Vasco avançou na Copa do Brasil e na Sul-Americana, houve um impasse crescente para o uso do Maracanã, com o consórcio Fla-Flu Serviços vetando jogos para os duelos com o Vitória (Copa do Brasil), Santa Fe-COL e Boca Juniors-ARG (Sul-Americana). O último, na semifinal do torneio continental, extrapolou o campo e chegou aos tribunais do Rio e de Brasília, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) — com ganho de causa cruz-maltina. Mas, antes, as diretorias já estavam acumulando outras discordâncias fora de campo.

O principal tema girou em torno da venda da SAF do Vasco para o grupo de Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa e marido de Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras. A negociação foi muito criticada pelo presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que reclamava de conflito de interesses entre as partes.

Ainda em abril, após reunião na CBF que tratava da criação de uma liga única de clubes, Pedrinho, presidente do Vasco, criticou Bap por ter insinuado que o empréstimo feito pelo Vasco com a Crefisa, em novembro de 2025, tinha alguma relação com a derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, em meio à disputa do clube paulista pelo torneio nacional com o Flamengo.

Meses depois, em julho, o rubro-negro acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) para analisar a negociação. Em resposta, Pedrinho atacou duramente Bap, ressaltando que o mandatário do rival seria “mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita” em suas manifestações contrárias à negociação.

Bap processou Pedrinho, pedindo indenização de R$ 40 mil, além de retratação pública. O processo ainda não tem data marcada para julgamento. Já a venda da SAF foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária no último dia 23, na Sede Náutica, seis dias antes do clássico, e aguarda aval da Anresf para ser concretizada.

Dentro de campo, a partida do primeiro turno também foi envolta em muita pressão. Mesmo levando dois gols do Flamengo, o Vasco buscou o empate na reta final, no Maracanã. Após o jogo, houve também a repercussão do caso do torcedor cruz-maltino Arthur Cortines Laxe, estudante de 18 anos, que ficou cego do olho direito ao levar um tiro de bala de borracha de um policial militar enquanto presenciava uma confusão nos arredores do estádio.

Por conta da preocupação com a segurança para o evento esportivo, houve articulação do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (Bepe) para que os grupos de torcida sejam escoltados diretamente da estação de trem, em vagões reservados, para dentro do Nilton Santos. A empresa responsável pela condução, TrensRJ, também pediu reforço “de um planejamento integrado de segurança que contemple tanto a chegada quanto a saída do público”.

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