– Quando o jogo fica como ficou hoje, é muito provável que você busque uma solução mais simplista, que é cruzar a bola na área. Dá para encontrar espaços com mais frequência contra times postados mais à frente, mas não contra uma equipe tão baixa (taticamente, no campo). Na ânsia de tentar resolver os problemas, você simplifica – explicou Mano Menezes sobre o excesso de cruzamentos.
Análise: Corinthians tropeça e enfim admite que luta para não cair
Por Globo Esporte Segunda-Feira, 23 de Outubro de 2023
Por muito tempo o Corinthians tratou a luta contra o rebaixamento como um problema de outros clubes neste Brasileirão, mas o empate em casa contra o lanterna mudou o discurso. A atuação ruim contra o América-MG e a melhora dos concorrentes ligam o alerta máximo no Timão.
A expectativa era por uma vitória vista como obrigatória. “O jogo da virada, para engrenar no campeonato”, nas palavras de Giuliano. Mas aconteceu tudo ao contrário: o América-MG executou o plano à risca, marcou bem, abriu o placar e só não venceu na Neo Química Arena por causa de um gol no último lance.
O empate em 1 a 1 foi o único atenuante em uma das piores atuações do Corinthians no Brasileirão. Faltou criatividade, jogadas coletivas e solidariedade ao companheiro: quem tinha a bola não tinha opção para jogar, e a marcação do América-MG engoliu a partida por cerca de 70 minutos.
Um erro do Corinthians foi levando aos outros. Primeiro o time forçou jogadas que precisavam ser trabalhadas, em seguida passou a ceder contra-ataques seguidos, e depois do gol sofrido se desesperou e apelou aos cruzamentos – foram 18 só no primeiro tempo, e todos errados.
Contra o Fluminense, o excesso tinha sido de chutões para longe. Contra o América-MG faltou paciência e sobrou imprecisão. Menos mal que o empate saiu no oitavo minuto de acréscimo. "Dos males, o menor", como diz Giuliano.
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Corinthians de Fagner e cia. está a três pontos do Z-4 — Foto: Marcello Zambrana/AGIF
O resultado é ainda mais preocupante do que o desempenho. O quarto tropeço seguido no Brasileirão deixa o Corinthians entre os piores do returno. Com uma única vitória em dez rodadas, ocupa o 15º lugar com 33 pontos, três acima da zona de rebaixamento. A situação finalmente convenceu o Alvinegro que a luta é mesmo para não cair.
Foram meses negando essa realidade, ainda que o Corinthians seja um morador fiel da metade de baixo da tabela – a melhor colocação recente foi um 11º lugar. Luxemburgo repetiu várias vezes que o time “brigaria lá em cima”, e Cássio chegou a reclamar de uma pergunta “tendenciosa e negativa” sobre o assunto, no começo de setembro. Hoje, a situação é outra.
Há quatro dias o próprio Cássio admitiu que a situação é preocupante. No domingo, depois do empate contra o América, Mano Menezes e Giuliano foram os únicos porta-vozes do Corinthians e admitiram que o momento é delicado e que o time briga, sim, para não cair.
Mano comparou a luta contra a queda com “surfar ondas muito altas”, por isso tenta não deixar a pressão interferir dentro de campo. O meia admitiu que era o jogo para virar a maré alvinegra e que o empate foi frustrante.
O Corinthians agora viaja a Cuiabá para tentar recuperar os pontos que escaparam contra o América-MG. O adversário ainda tem algum risco de rebaixamento, mas tem 37 pontos e está mais perto de garantir a permanência.